03 novembro 2010

Tarde




Vai,
Caindo,
Um resto de luz,
Amarela e difusa,
No fim de tarde quente,
Deixando tudo mais lento.

Os sons dos carros na rua,
Minha mão balançando junto com a sua,
As crianças da vizinhança correndo, bem devagar,
Nada mais se sustenta no tempo comum, das coisas normais.

Dobrando a esquina, arrastados num esforço arfado, mas leves,
Sentimos o quão breve é o fim desse dia inteiro, que não teremos de novo,
Jamais.

15 outubro 2010

Balada para o Capitão


Você não vai me dizer,
Mesmo que insista, não vou ouvir,
A palavra mais forte que cala em seu peito,
Me deleito, não posso compreender.

De tão distante, o discurso claro na sua pessoa,
Me soa, como bossa enredada num lamento ensosso,
Eu, definitvamente não ouço, o que tanto,
Tanto quer me fazer saber.

Por isso, tão tranquilo posso seguir,
Com apenas aquilo que me interessa estabelecer,
Como ciência do nosso dia-a-dia, bonito,
É só o que me cabe reconhecer.

13 agosto 2010

Você




Não sente, nem diz,

o que de pouco lhe resta,

não enfrenta, sequer pela fresta,

você perdeu, a porta sempre estará ali.


Se amarra em nós,

eu duvido, que perceba,

a corda que te prende, todas as horas,

todo momento, de graça ou não, enfim.


Por isso eu venho,

perdendo a vida nas regras,

que sempre esperaram de mim,

pra te dizer que não resta, nem um suspiro.


Do mesmo tanto que desprezo,

admiro, pra não deixar passar, nossa realidade,

onde, cada um por si, são poucos e poucos não podem,

não poderão saber, o ser, de todos nós, a sós, com afinco, não admito.


De tudo, só isso...

o moinho, o pó, o porvir.

20 julho 2010

Cai a máscara




Ainda que eu te dissesse alguma coisa,
muito me escaparia,
e desse muito toda a essência se perderia.

Ainda que falasse mais que o necessário,
eu iria falar,
em alto e bom som,
sobre todos os que ficaram e aqueles que sempre vão.

Pouco me restaria, a não ser lamuriar
e dizer, entre dentes e nervosamente:
_Está encerrada, perdoem-me a qualidade do serviço!
_Está encerrada a festa, eu insisto!

(a luz se acenderia, ouviria palmas)

Acenaria um aceno anêmico,
uns sorrisos amarelos e desapaceria,
pronto para retirar-me a meus aposentos e sussurar:
_Chega..

(A 4 mãos, com DriEiko [Salve!])

15 julho 2010

Para meus amigos

Um dia, num tempo que eu ainda não conheço,
minha vontade não terá mais preço,
meu desejo não será mais dono de mim.

Assim, as dobras das palavras e das vontades,
não falarão tão alto ao meu coração,
que restará, vazio, enfim.

Por hora, toda a graça e brilho mais forte,
toda aurora que irrompe num dia,
me coloca em olhares, me faz sentir.

Eu vou, caminhando sozinhamente,
em meio a tantas gentes,
largando no meio-fio, a saudade.

Desse tempo presente, tardio no dia-a-dia,
antecipado na ansiedade, que não é minha,
até que me baste, a falta de palavas para dizer.

Então, só da passagem, só na passagem,
de todo vento e brisa que vai e vem, eu saberei,
que os tenho comigo e nada mais.

16 janeiro 2010

São tantas




Lista de emoções, da Wikipedia

Agressividade · Afetividade · Aflição · Alegria · Altruísmo · Ambivalência · Amizade · Amor · Angústia · Ansiedade · Antipatia · Incómodo · Antecipação · Apatia · Arrependimento · Auto-piedade · Bondade · Carinho · Compaixão · Confusão · Ciúme · Constrangimento · Coragem · Culpa · Curiosidade · Contentamento · Depressão · Desapontamento · Deslumbramento · Dó · Decepção · Dúvida · Egoísmo · Empatia · Esperança · Euforia · Entusiasmo · Epifania · Fanatismo · Felicidade · Frieza · Frustração · Gratificação · Gratidão · Gula · Histeria · Hostilidade · Humor · Humildade · Humilhação · Inspiração · Interesse · Indecisão · Inveja · Ira · Isolamento · Luxúria · Mágoa · Mau-humor · Medo · Melancolia · Mono no Aware · Nojo · Nostalgia · Ódio · Orgulho · Paixão · Paciência · Pânico · Pena · Piedade · Prazer · Preguiça · Preocupação · Raiva · Remorso · Repugnância · Resignação · Saudade · Simpatia · Soberba · Sofrimento · Solidão · Surpresa · Susto · Tédio · Timidez · Tristeza · Vergonha

06 janeiro 2010

só isso

nÃo, deFINitivAMENTE, Não há nadA MELhor dO QUe ser lo u co, paa aara, nÃO ter que ter razão.

05 janeiro 2010

A mesma nau




Quando ontem foi há seis meses atrás,
pode-se perceber como passou tempo demais,
a se perder, dentro de labirintos de espelhos,
jogos de palavras vazias, sede que não se sacia,
ausência do mundo real e de você.

Então respira profundamente,
ensaia mil vezes até poder se mexer,
cheio tem que desaguar, toda água estagnada,
esgotar devagar, para não revolver o lodo,
e mais ainda, se sujar.

Não cabe agora, debater-se,
não cabe mais sofrer.

Graças dou apenas,
pela ajuda invisível que me resgata,
pela força sutil que move a fragata,
e uma brisa nova inspira,
vira, outro rumo pra seguir.

22 julho 2009

Cala boca e fala logo



A vida é mesmo engraçada,
engraçada e espantosa ... a nossa capacidade de rir,
quando o que se quer mesmo é chorar,
quando muito do que é bom são as lembranças,
quando o dia-a-dia se revela em baixa qualidade e meios-tons,
quando não há fotografias na parede pra me lembrar.

Engraçado não poder me decidir,
ora lascando aqui um xiste,
ora ali um resmungo, ou uma chacota,
tudo me serve bem pra eu não ter que falar.

Fala por mim, eloquente, o silêncio,
por de traz das palavras,
nada poderia ser mais contundente e sagaz,
nada resiste assim tanto tempo,
eu não me olho mais no espelho,
não quero mais.

A questão que fica é a de que não para mais nada,
na pauta surrada das repetições demasiadas,
restando a dúvida, de se existe uma autêntica tristeza,
ou se mesmo ela, deve pedir licença e se retirar.

À medida em que a vida comum e a idade,
me chamam à responsabilidade,
que os dias somados, as estações rastejando no calendário,
dando a volta nos anos, que eu nem percebo passar,
vão se esgotando rápido demais.
A vida assim se configura numa simplicidade honesta,
tão besta e verdadeira que não dá mais espaço aos lamentos,
esgarçam-se os tormentos, até mesmo os mais presentes,
então eu, você, seguimos feito gente que em sente direito,
feito bons atores de um filme não tão bom assim.

A resposta certa está lá fora, deixou a porta aberta,
olha pela fresta, com um sorriso de canto de boca,
gargalha uma risada rouca, olha-nos sem se demorar,
não vejo ninguém aceitando seu convite,
mas se visse, seria capaz de enxergar?
...

Depois de tanto tempo calado,
me animo a deixar esse recado,
e embora possa parecer ele, triste por demais,
dá-me alento pra continuar,
mesmo sem entender direito o mapa,
mesmo desconhecendo a origem, a razão e a sorte,
mesmo encantado, como sempre, pela morte,
erguendo-me cansado de dentro de mim mesmo,
pra continuar.


17 maio 2009

Red




Lá vou eu de novo,
Mas não, isso não é um peso pra mim.

Eu aprendi a confiar, sem estar perto pra ter provas,
Escolhi algo, que mesmo distante me conforta demais,
As outras coisas deixei pra traz,
As outras ofertas do mundo não me atraem mais.

Vou viajar levando mais que eu mesmo dentro de mim,
Vendo todas as luzes e cores de uma forma diferente,
Quem não sente que pode ser assim, sofre,
De uma maneira que eu decidi não sofrer mais.

Quem pode me dizer dessa história qual será o fim?
Mas se pode, não me diga, ainda assim,
Prefiro viver alimentando o desejo de que seja perfeito,
Aprendendo a superar quando não for, por um bem maior,
Construindo uma fortaleza que me proteja do mundo,
Quando esse mundo decidir levar à minha porta tempestades e marés fortes,
Aprendendo a me deleitar com todas as coisas boas,
Que também hão de vir.

Só te digo que agora, mora em mim a reverência,
Que me cubro de decência para recepcionar,
O cortejo de um futuro feliz, que já começou,
A aurora de uma era de mais amor e mais paz.

Bendita seja a vida nova que está a começar!


10 maio 2009

Um Dia




Será que a passagem do tempo nos torna melhores?
Será que o que o espelho nos mostra, todos os dias, vai ficando mais familiar ou estranho?
Será que as respostas comuns e fáceis nos bastam?

...


Eu não sei dizer a palavra certa,
Por mais que esteja alerta,

Ela não vem,
Eu posso aprender o que ainda não sei,
Posso arrumar um jeito de te dizer ,
Tudo que há no fundo do peito,

Ainda assim, você pode não entender.

...


Você pode ser perfeita,
Pode abrir todas as portas,

Você pode dar voltas,
Suficientes para me confundir,
Você pode estar certa,
Você pode não querer ter razão.
...

Nós ainda vamos nos encontrar muitas vezes,

Eu ainda terei muitos afazeres, você os seus,
Nós ainda nos abraçaremos nas despedidas,
Ainda sentiremos saudades,
Até o último adeus.

...

Por hora ficam apenas umas palavras,
Uns pensamentos,
Por hora, ainda só a passagem das horas,

Nunca será tarde demais.

19 março 2009

Pálida




eu nao queria te dizer algo assim,
qualquer coisa,
eu não queria estar longe assim,
não queria que o texto fosse irregular assim,
eu nao queria tanta coisa,
tanta coisa.


agora que você tem idade suficiente para ser a mãe de uma criança no fim da infância, mas sua sorte e sua escolha, não foram essas, agora...o que será?


agora que as pessoas envelhessem a olhos vistos,
agora que eu não encontrei o mesmo que te faz feliz,
e as salas de espera estão cheias de gente inquieta,
quem vai juntar os trapos da história,
quem será sensato para não a repetir?


só pelo ensaio tardio desse momento,
me desculpo, mas não aguardo alento,
me dispo e dissipo, numa bruma de madrugada,
vou à sacada e me deixo cair,
dessa queda flutuo, abro os braços,
no meio do caminho lá pra baixo,
começo a subir, olha que estranho, a subir,
olha que movimento, tão estranho, tão estranho,
mas eu sei, estou subindo pra te encontrar.


agora, que não é a hora, nem o lugar,
que não tem mais jeito, eu suspeito,
agora está perfeito, o tecido desse sonho,
onde eu vou pra te ver, vou devagar,
pra que estejas pronta, lá vem você,
pronta, vestida só um cetim,
vem pra mim, abre os braços,
estico os meus, abre os braços,
me puxa, eu cheguei, vim pra ti.


agora, estamos juntos, como não era há muito,
lá debaixo, ninguém nos enxerga,
eu sorrio, você olha pro horizonte,
risca com o dedo, minha fronte,
na minha testa desenha um sinal,
é assim que se desperta num sonho,
você me diz, eu te abraço forte,
a gente ri, de mais alto nossa risada ecoa,
quando chega a luz do dia,
ainda brilha, estrela da manhã,
me vem o que deve ser dito,
primeiro sussuro, depois repito.


mesmo que pareça perdido,
mesmo que esqueça o sentido,
coloco os louros sobre seu cabelo,
suas bodas eu vim coroar,
olha ali aquelas nuvens correndo,
olha lá um risco de luz no mar,
vejo por dentro sua relíquia, no peito,
dobro um joelho, baixo a cabeça, tomo sua mão,
moça-senhora pálida, não há profecia,
nem runa pra te guiar, pra cá ou pra lá,
sua direção de vida aponta, se preciso afronta,
seu desejo desmonta, o que mais não há.


ao fim, acena-me em anuência,
despedimo-nos sentidos, em silêncio,
volto à terra comum, descendo escadas em espiral,
olhando pra cima, te vendo, até acabar,
até ficar pesado, de pé no chão,
até regressar, deitando na solidão,
mas fica o perfume sutil desse encontro,
momentos que gravo e me confortam,
até que um dia voltemos,
até que a distância se desfaça,
até que não tenhamos mais,
que descalços errar.

13 março 2009

Balada sem nome

Ora, ora,
Hora, hora...
Eu digo e repito, duas vezes,
Porque essa coisa é do tipo,
Que se diz de par em par,
Eu não mudo isso, porque não convém,
Porque desde o início dos tempos, foi assim.

Essa história é um bom começo,
Pacto amarrado, embrulhado em xiste,
Depois que você começa,
Não tem volta, cabra,
Eu te aviso agora, não tem fim.

O que você tem que saber,
A única coisa que vale a pena, enfim,
É onde vai o termo dessa dança,
Porque ainda não tem a resposta,
O que o faz levantar todo dia,
O que não te deixa dormir?

Sabe bem, ó andarilho tosco,
Caminhante da volta torta,
Esse atalho que toma, à sorte,
Te levará de novo ao início,
Que seja ele um precipício,
Seja ele seu eterno porvir.

Se não toma esse caminho,
E afoito encontra a chave,
Torna-se ela a clave funesta,
Com a qual se escreve seu requiém,
Daí sim, a mortalha cega, terá de vestir.

Por isso, vira e mexe, te repito,
De maneira clara e bem honesta,
Volta e meia calará seu grito,
Mesmo abafado, não deixará de existir,
Vai com força, dar com a cara no muro,
Ou fica, a buscar seguro,
Onde não há nada pra te garantir?

02 março 2009

ainda que eu sangre


de tanto esperar e perder o tempo da espera,
perdi-me nuns corredores confusos sem fim,
dei voltas tortas à procura da figura, que será?
um espelho o que procuro, ou um muro alto assim?


de tanto calar e me alimentar do silêncio, confesso,
engodo bem urdido de dentro do peito ferido,
espera de um vale arejado sem chance de sucesso,
será minha armadilha pra mim meu passaporte perdido?


será a lança afamada do meu nome, feita pra me ferir,
será a sorte insidiosa que me consome capaz de me dobrar e ruir?
ou resta esperança que me console, milagre que desafogue,
manhã que me resgate da noite torpe, venha me ungir!

09 fevereiro 2009

Leve




A vontade de seguir,
sem pesos do passado,
quem tenho ao meu lado,
além de mim?

Quem mesmo será preciso,
além da consciência e o sorriso,
do sentido atento aos avisos,
da sutil percepção que há de vir.

Minha salvação, por mim mesmo,
não dum inferno eterno,
mas do desperdício diário,
da fuga tola de viver a esmo.

Bom tempo e passagem,
não negarei o meu direito,
me educarei a não faltar com o respeito,
pra que pouco não me entorte e leve ao fim.


07 fevereiro 2009

A porta




Sim....eu vou entrar.

Uma vez lá dentro, farei de tudo que se espera que alguém faça, depois de entrar.

Também andarei lentamente de um lado para o outro, acenando com a cabeça àqueles que cruzarem meu olhar.

Depois de estar lá, eu sei, pensarei no quanto me arrependo por haver entrado, mas afastarei os pensamentos e tentarei sorrir convincente.

Conversarei, bem mais ouvindo que falando, com quem puder suportar por mais tempo. A quem precise dar menos atenção, e possa parecer atento, mesmo ao divagar.

Me lembrarei de algumas pessoas que nunca viriam, de outras, tentando imaginar se já vieram e eu não soube. Mas nada disso será realmente interessante.

Eu ficarei quieto e andarei mais, sorrindo e acenando mais, para que não tenha que parar e falar com alguém. Até que, exausto, me sente ao canto mais escuro e feche os olhos, até enxergar, dentro da minha cabeça, a luz do dia lá fora. Onde uma brisa me toca e os murmúrios da manhã me acolhem.

Eu vou entrar. Mas antes encontrarei um lugar seguro, pra deixar meu coração guardado, aqui fora. Se eu conseguir sair, espero que ainda esteja ileso e o possa recuperar.

Eu vou entrar, já disse, mas deixo meu coração aqui fora. Não podem me obrigar a levá-lo pra dentro dessa escuridão. Não mergulharei com ele nesse abismo sem fim.

05 fevereiro 2009

Desdém para Eiko




Então, insinue que vem,
mas se furte a vir,
e não me deixe saber fácil,
se você não pôde, ou não quis.


Toda vez deixe pairar,
pode ser uma dúvida, um mistério,
ou mesmo algo que eu queira dizer,
e não consiga.

Não minta, é claro.
mas não serei rígido com as omissões.

Saiba usar de rodeios,
só não exagere para não ficar sem graça.

Provoque, sempre com sutileza,
Não deixe espaço para as certezas.

Deixe assuntos começados,
sem pressa de concluir.
Me pressione a decidir,
mas não dê importância,
qualquer que seja a decisão.
Já você, pode e deve,
demorar-se em dúvidas,
peço apenas que não sejam tolas.

Dê a entender que está me colocando em meu lugar,
mesmo sem dar referência de onde seja isso.

Não me poupe de seus problemas,
não se preocupe em ser coerente,
se eu perguntar, onde quer chegar.

Mesmo que não me diga o que deseja,
ou pode, realmente me oferecer,
não se demore em esclarecer,
isso ou qualquer outra coisa.

Por mais que possa lhe parecer estranho,
mantenha um ar seguro e tranquilo,
diante de todo esse enguiço,
para que eu me motive a seguir.



Ficou lá...

Assim, por não dizer,
de tudo faço mensagem,
toda a passagem,
me pode carregar.

Você me pergunta,
respondo que sim,
mas nem sei,
essa rota torta,
esse olhar fugidío,
mas que coisa,
ai de mim.

Por isso, a pena assinala,
essa opção vaga,
e mesmo que nunca,
venha a saber o fim,
você será minha tola,
fixação.

23 janeiro 2009

Mais uma noite

Passando em viver
a espera sem fim
sempre sem saber
o que será de mim
cantando em silêncio
ah viver, sem porvir

Deixar escorrer
o tempo esquecido
cuidar que me faz
sempre mais sentido
cair, que me move
sofrer que me envolve
o que há de vir?

24 outubro 2008

Mares




Olha!Quão profundo é o oceano,
Que margeia tuas praias,
Que reflete nos teus olhos,
Um pouco do azul,
Que mora, dentro de você.

Ouve, o som das ondas,
Também batem às pedras,
Em votos de saúde e paz,
Eu daqui, desejo-lhe tudo isso e mais.
...
Eu te desejo,
Um pouco pro mundo,
Outro pouco pra mim,
todas as partes, pra si.

Também te desejo,
Que o desejo não a escravise,
Mas também não te deixe,
Em apatia, ou deslise, enfim.

Que sua alma, feito caleidoscópio,
experientente a doçura do ópio,
A muitas coisas se permita e principie,
Mas em nada, nunca se vicie.
...
Eu te agradeço a companhia,
Que mesmo rara e as vezes fria,
Nunca nos deixe numa história vazia,
Nosso baile, nunca chegue ao fim.
...
Peço que sofra, mesmo sendo feliz,
Cuide que também os que te acompanham,
Não se percam em ilusões demais,
Mas se assim for, também não os deixe,
Pra trás.
...
Pra trás não fique nada de essencial,
Pra frente, tudo que ainda brilha os olhos,
Por dentro e pra fora toda a festa,
Que sua vida vem coroar.

17 outubro 2008

Graça da Esperança


Como é difícil enfrentar a nós mesmos,
Com todo o brilho do ego que nos cega,
Com toda a proteção dos medos,
Que nos emburrece demais.

Como é simples enxergar a falha e desgraça alheia,
Mas não o que ela permeia,
Enviesado, dentro de nosso peito.

Ai! Que dor, esse defeito!
Não! Volta esses olhos acusadores pra lá!
Quem é você pra falar?
Quem sou eu pra reconhecer essa chaga que há em mim...

Deixa, deixa que não há porque nisso mexer...

Decerto, que se não houver alarde,
Essa chama que arde, esfriará enfim,
Decerto, se aos olhos não for tão claro,
Se cobrir de camadas de mentira e omissão,
Não terei de lançar mão, de mudar alguma coisa por aqui.

Salva-me Deus, façamos assim, um acordo bom,
Que, se eu me humilhar a ponto de ter fé em ti,
Que não tenha mais que temer a nada, nem a ninguém,
Sobretudo, que eu não tenha que sentir dor,
Nem mudar, um fio de cabelo que seja, em mim.

14 outubro 2008

Cansa




Cansa
ver que tudo muda, mas na maioria das vezes é uma casca que cai, ou é trocada. A essência, que é o que importa, continua lá, intocada.

O desprezo pela mesmice vira propaganda pra gente admirar-se da originalidade, da última sacada de marketing e a oferta real de benefício é uma corrida sem fim, pra seduzir a gente, a consumir mais.

A gente, que fica tonto, de tanto que não sabe mais, viver sem ser consumidor. Mesmo que o mundo esteja ruindo, sobre a estrutura podre dessa marcha fúnebre gloriosa do consumo. Estamos de novo boiando na superfície, ok ... mas deseperados de terror por saber que logo iremos afundar?

A pergunta é: Se a injeção de dinheiro dos governos nos bancos privados vai estancar a hemorragia?
É essa a melhor pergunta que podemos nos fazer, atônitos e desesperados, chorando como crianças e pedindo no escuro que alguém afaste o monstro que nos ameaça?!

O caminho da tomada de consciência e da revisão de valores está, cada vez mais obviamente em nossas mãos.
Nossas mão comuns que trabalham e sustentam as famílias, que sustentam os bancos e empresas. Mãos que já vem revolucionando a lógica da informação no mundo através da internet e das redes sociais.

Passando do senso de poder que experimentamos hoje, para a consciência, e dessa para a atitude ética, a somatória magnífica de cada um desperdiçando menos, consumindo com inteligência e valorizando a vida é ...

Então, a Crise Mundial é de que mesmo?

21 agosto 2008

Vem com graça





Sem querer, de tanto que já não acreditava mais, a Mudança chegou,
Acho mesmo que nem a percebi direito, visto que me era estranha demais.
Assim como alguém que incomoda,
Chama a atenção de leve e interessa,

Começou a surgir e assim que percebida,
Ficou se fazendo de indiferente pra não me assustar.

Cheia de possibilidades e promessas,
Me encanta e me estressa,
Abre meu coração e eu fujo,
de medo de não conseguir.

Depois, feito criança que tem-medo-mas-não-tem-vergonha,
Eu volto, rodeio, espio, de canto, fazendo que nem aí.

Ela, toda-toda, me confunde, com risinhos e rosto virado,
Me coloca ansioso e cansado, esperando poder tocá-la.

Pra uns, deve parecer que o que eu queria mesmo com essa dona,
É uma farra, daquelas bem boas de se esputricar,
Ou que minhas juntas travadas e idade acumulada, não me permitem mais.

Outros, podem rir de minha inibição em tomá-la.
Não importa.
Agora que dela, já estou enamorado,
Apenas a nós dois importa, como estaremos e o que virá.

02 agosto 2008

Vergonha

Isso ném é o tipo de coisa que eu escrevo, mas, enfim...

Tem uma letra de música do Tim Maia que eu adoro. Me faz sentir uma coisa esquisita, vontade de chorar e de rir:

"Venha ser a companheira esperada
Corpos juntos, mãos dadas
Preciso de você
E sinta lá de dentro a vontade
Meu olhar é verdade, eu quero só você"

Ai...vergonha alheia de mim mesmo.
:D

31 julho 2008

Cadente



Queria que tudo tendesse a menos,
mínimo, pouco, leve, quase nada.


Queria que quase nenhum barulho fosse audível,
que o que eu pudesse ouvir, fosse murmúrio,
queria que todo bairro fosse subúrbio,
que toda música fosse bossa-nova.

Queria comer pouco, de salada e sopa me bastar,
queria andar firme, mas devagar,
que a pressa nunca me tomasse,
e ter que por a mão no peito pra ver se ainda bate.

Deixar a todos a quem olhasse, um olhar,
como se não fosse, que passa e já esqueceu,
lembrar-me pouco e vagamente,
não ser demente, não, mas em tudo fugaz.

Tomar muita água e respirar muito ar,
para todo veneno, do corpo e da alma, dissolver,
desdizer, sem nem perceber o que fiz,
mais feliz não poderia ser.


Assim, quando estivesse por esse berço cálido tomado,
vida escolhida e cultivada sem transtornos, sem igual,
poderia sentir a emoção de desejar um arroubo,
paixão de cinco minutos, que a gente suspira,
mas bem feliz, deixa passar, sim senhor.

21 junho 2008

Depois de tudo que aconteceu



Fiquei ali, me remoendo em remorços,
azedo pelos maus tratos.

Me perguntando, idiota:
_Por que você não volta?
_Por que não parto eu?!
...
_Por que todo mundo foi,
cada um, para o lado de ninguém?

Por quanto? Por quem?

Insinuei dois dedilhados,
três batidas secas, pra me confortar,
tórax caixa de som...
_Ai, como me falta o bom tom...

Meu coração apertado,
revoltoso, embora mirrado,
não fez-se de rogado,
arrebentou as costelas,
vazou pra fora do peito.

Com cara de indignado,
deu a volta ao meu redor,
mirou-me sem respeito,
deixou claro não gostar do que viu,
disse:
_Adeus!
e partiu.

Eu fiquei ali, vazio,
meio sem jeito, meio suspeito,
a duvidar de tudo e de mim.

Depois de muito tempo confuso,
amontoei minha trouxa e fui,
andando pelo mundo,
a estranhar tudo que era sentimento,
por fora e por dentro,
não tinha mais porque me iludir.

25 maio 2008

Decido

Eu escolho ficar com você,
Mesmo sem saber por quanto tempo isso será possível.

Aceito olhar para os lados, disperso,
Me preocupar em como se sente, mesmo que não vá te perguntar.

Aceito esperar pra saber como será,
Desejo não ter pressa de responder, pra poder me surpreender e sorrir.

Fico sozinho, bem acompanhado pela sua ausência,
Cheio de vontade de saber esperar, até a hora que não puder mais.

Eu vou ver as histórias, ver as passagens e me lembrar,
Pra te contar depois, pra ficar simples assim.

04 maio 2008

Hei, deixa...




Será que você sabe me dizer,
O que quer que seja,
Que me deixe, sem quereres?

O que me mova de mim,
O que me leve a alguém,
Que seja simples e breve,
Que me pague o que deve,
Depois disso, qualquer coisa será.

Você pode me dar um roteiro,
De estradas preu não chegar,
De filme, que eu não possa ver,
Você pode me deixar uma falta, confortável.

Até, que o momento antes do começo,
Chegue para me fazer saber, que é hora,
Até que não mais me canse a demora,
Até sem palavras, tenho que te dizer.

Falar de uma novidade e um começo,
Esqueço, nem sei mesmo o que,
Sentir o estômago frio por desconhecer,
Deixar que todos ao redor, não sejam mais,
Nem menos, muito indiferente pra não ver,
Não posso deixar, de me pegar a me perder.

Se assim me dá, não há o que eu possa perder,
Se perder tão terei mais, o que dizer,
Se não souber, se vou, ou se fico,
Insisto, em não mais desperdiçar,
Deixo prá lá, minha vontade de esperar,
Aceno o sinal combinado pra te trazer.

Até depois do fim do dia,
Te chamo pra raiar o sol comigo,
Em qualquer intervalo de tempo,
Em que possa me responder,
O segredo do desejo, a história,
Que vamos escrever.

29 abril 2008

Digam por mim




Tem tanta coisa que eu ainda tenho que aprender,
Tanta coisa que eu ainda não sei direito e nem errado,
De tudo que ainda falta, o que me basta nessas horas,
São as músicas que mesmo não dizendo, falam, enfim.

"Só uma palavra me devora
Aquela que meu coraçao não diz..."

"As aparências enganam,
Aos que odeiam e aos que amam,
Poque o amor e o ódio,
Se irmanam na geleira das paixões..."

As vezes, rir e chorar ao mesmo tempo, não é engraçado.

Nem triste.

19 abril 2008

Mais nenhuma rima preciso ter

Sou finalista desse mês no Levis´s be Original com esse texto.
Gostou? Vote em mim: http://www.levisbeoriginal.com.br/#projects/838



Às vezes parece que a vida não desce,
não sobe, não cresce e aparece.

Às vezes parece que tem um engasgo perdido,
no espaço entre o estômago e o ouvido,
faz eco e aperta o peito, parece defeito,
incomoda essa aflição sem jeito, sem sentido.

Em algo do que ouço e vejo, parece que se enseja um desejo,
começo a me interessar, um olhar, um lampejo,
algumas idéias em rodopio, sinistro,
pergunto-me se confio, se insisto.

Tenho vontade de olhar o mar e mergulhar,
vontade de não deixar, a onda vir e voltar,
sentir-me imerso, de todo envolvido,
mas me pego disperso, em memórias, ressentido.

_Ah, quem quer que me ouça, que transtorno descabido!
parece-me coração de louça, mal colado depois de partido,
não entendo, não me parece ter porque,
então me lembro, de uma figura, que pode ser você.

Você, que foram tantas pessoas ao longo da minha vida,
parece perfeito achar essa acolhida, para um não sei quem, nem o que,
ótima maneira de ter um objeto, responsável pela ferida,
muito conveniente me esconder no dejeto, ter um algoz, nessa lida.

Quase me basta essa mentira, quase me convenço, a me perder,
tão assim decidido, parece que sofro, mas não posso deixar de escarnecer,
_Ora que vexamosa essa postura, não me venha, que não dura,
esse lamento meloso, esse nhenhenhém seboso, nem vem que não tem!

Salva-me mais uma vez, de mim, meu companheiro, o riso,
dá-me voltas sem fim, para o alívio, o remédio preciso,
solta-me as amarras dos músculos, infla meu pulmão preu respirar,
espreme meus furúnculos, aplica-me unguento, pra me curar.
Rio então, riso que corre caudaloso...mais nenhuma rima preciso ter.

Você e




Morrer são duas coisas que me interessam. Definitivamente.
A morte pela sua inevitabilidade, mas em especial pelo seu aspecto de sombra do viver.
Sobre você, eu poderia dizer, mas ainda não sei bem o que.
Então eu falo sobre morrer.

Morrer como processo contínuo.
Morrer como envelhecimento.
Morrer como transformação.
Morrer para desapegar-me.
Morrer para transitar entre mundos.
Morrer para mergulhar no esquecimento profundo.

Agora que eu desejo a vida de uma forma completamente nova, a morte me cai bem.
Para cima e para baixo, escorregando por escadas em espiral.

Vou deixar para você um sorriso escondido no meio dessas palavras estranhas.
Vou dizer que me assanha saber o quanto a gente se entendeu antes mesmo deu entender.

Dobro duas folhas de papel em um origami improvável.
Sopro no ar, balançando um móbile imaginário.
Danço com a cabeça, lembrando do seu rosto.
Acaricio meu próprio ombro, como se não fosse.
Me entrego a preguiça de levantar, mais uma vez.
Venho até aqui e dedico tudo isso a você.

06 abril 2008

Eu preciso




Morrer.


Essa passagem é por demais importante e não pode mais ser adiada.

Garantirei a morte, destituindo-a de adjetivos e sendo indiferente à dor.

No funeral não serão aceitas pessoas de preto, de branco, ou mesmo nuas.

09 março 2008

Seguir

Por mais que eu erre e me perca, agora não vou desistir.
Por mais que pareça descabido eu dizer isso assim e aqui, me serve.

Esse tempo de enganos e fugas está para passar,
Sou capaz de insistir e chamar a resistência.

Saudações companhias que sobem a ravina,
Vamos erguer nossa flâmula e para a vitória partir.

26 fevereiro 2008

Posfácio

Parece que minhas palavras apenas tangenciam tudo aquilo que ainda serei capaz de dizer. A novidade é que isso não me assusta, pelo contrário, deleita.

Ficarei aqui, em intensa espreita, pelo que ainda há de vir. Procuro estar alerta para que não me escape mais o sentido, para que não me perca demais, na melancolia confortante que me sustenta, desde que me conheço por mim.

Por isso, estendo minha gratidão aos companheiros e amigos, que dividiram esse dias únicos comigo. Em especial atenção, àqueles generosos que me levaram consigo, que me deram acolhida e abrigo, que me cederam seu ingresso, pela prioridade de cuidar do futuro de uma vida que começa agora e com a qual, um dia, poderei compartilhar o que recebi.

18 fevereiro 2008

Ardil de Eros e Thanatos





Alguém me disse que hoje era seu aniversário,
Deveria eu então, dar-lhe parabéns e desejar felicidades.

Mas o clima instável não me garante condições,
Mas o tempo escasso não me estimula a economia.

Fosse a sua vida tão simples, como fantasia,
Fosse ela tão triste, qual soturna melodia,
Algumas rimas perdidas cairiam bem aqui,
Mas não é assim, não será, não tem jeito, não tem vez.

Um presente, sem precedentes, seria sua presença em você,
Mas isso não posso dar-lhe, só sua vontade pode lhe oferecer,
Uma saudação de grande mérito, decerto não vai lhe satisfazer,
Ainda que devesse ser o bastante, não o poderá convencer.

Assim, tudo, de tão precioso, com que já veio ao mundo,
Será que não desdenha como raso, não os perde no profundo?
Se deseja, lhe consome, exausto cai à sombra conformado,
Se despreza, cega e aflige a alma dos que tem, por prazer?

Em tudo o que vejo, me parece surgir um brilho apagado,
Um barulho exagerado, ou sussurro perdido, que não se pode entender.

Por isso, caro amigo, vou deixar aqui, só a intenção de um sentido,
Um desafio bem urdido, ademais, a boa sorte e "alfiderzen".

04 fevereiro 2008

Vou te contar...




Não é mais possível ficar.

Outro envolvimento com o tempo,
Faz-se necessário e urgente,
Um modo de vida mais claro e decente.

Azedumes tiveram sua vez,
Agora a tristeza embarcará,
Mas ficará ao seu canto, quieta.

A partida é triste para todos,
Mas faz-se necessária para o bem,
Se não for o geral da nação, foda-se, também.

...

Olha, se bem, que, pra ser sincero,
Ainda não tá assim não viu, tão decidido,
Tô mais pra intervalo antes do segundo tempo.

01 fevereiro 2008

A última palavra


Ian Curtis foi Vocalista de uma banda muito deprê, o Joy Division.
Mas essa banda deprê também era excelete e influienciou meio mundo do rock com seu som.


Tenho que te dizer que algumas pessoas apenas nascem,
Tenho que te dizer que preciso escrever músicas inspiradoras,
Preciso sangrar uns prantos amargos, agressivos e sombrios,
Estampar alguma visão, torpe ou sublime, aos olhos embaçados de rotinas,
Preciso que você se cale e ouça tudo que eu tenho...

Não preciso que esteja aqui, não preciso esperar você,
Posso dar a volta sobre suas pretenções e armadilhas enguiçadas,
Posso dar risada e ouvir que ri também, mesmo sem entender de que,
Estou acostumado a te ver caindo na mesma vala, que Deus te valha,
Você não é mesmo do tipo que pode parar pra entender quem é, você.
...
Até que toda a cinza se vá, baterei os pés, pesados, numa dança,
...até que essa paisagem vasta me inspira! Não posso deixar...
Passar mais um dia vazio, preciso sentir frio, dormir ao relento talvez,
Lançar olhares aos quatro cantos, cansar-me desses pobres tormentos,
Parece fácil, mesmo que tenha que ser à revelia, de qualquer mercê.

Mesmo que as cascas me façam falta, que me dôa a lataria cansada,
Que me lembre e folheie cartas, me perca em fotos amassadas,
Mesmo que agora pareça que eu posso e depois tenha que reconhecer,
Um engano, mais uma esperança vã, herança do que eu não sei, somada ao que eu não quis,
Mesmo que essa sinfonia perdure, depois da música acabar, por quê?! me diz...

29 janeiro 2008

Fica forte mais uma vez




Na hora de ir embora é que a coisa pega,
a verdade se revela, não se pode mais evitar.
Quando algo que já foi nosso, que já tivemos,
não nos deixa esquecer e temos, que admitir a falta que faz.

A cortina que tivemos que baixar,
as luzes que foram apagadas,
folhas, cheias de palavras fortes,
rasgadas, deixadas pra trás.

Poeira acumulada com o vento, memórias carcomidas,
sem alento, vontade de abrir a boca e dizer
antes que a última chance se vá.

...

Perdas sempre podem nos derrubar, mesmo que seja de medo.
Escrevi isso pra você, meio que me lembrando de dias perdidos, de mistérios e segredos, que um dia pudemos partilhar.
Sim, eu também tenho saudades.
Sim a sombra da perda sempre irá nos acompanhar, nos amedronta, mas também dá sentido à vida.
Nos faz cuidar melhor do que temos e criar resistência e força para deixar o que não pudermos mais segurar.

Te amo.

Quirino




Eu deveria escrever isso para dizer de alguma forma, intensa, original, assustadora ou banal: "Feliz aniversário"!

No fim das contas, acaba sendo aquela repetição de velhos clichês, que você é gente boa e especial e tudo e tal.

Não dá pra fugir disso. Então eu tenho mesmo que te dizer que o admiro pela alegria e simplicidade com que encara a vida. Detesto ter que admitir, mas é uma alegria contagiante. Sinto-me contaminado as vezes e tenho que ir ao banheiro respirar fundo e me concentrar para continuar mal humorado...dá trabalho.

Por isso desejo que continue assim (...ai, mais um clichê...) e seja engraçado, esteja gordo ou magro, pq rir das chacotas da vida é um grande presente e você pode dar-se ao luxo de tê-lo, todos os dias.

Desejo também que, por mais desencanado que seja, converse com seus medos e limitações. Entendo que você ache graça em ser candidato a esquizofrênico, mas não gostaria de ver a história da sua vida virando filme para achar que isso é legal. Já que vc gosta de monstros, é bom conversar com os seus, nem que seja para dar-lhes umas coças.

Aproveite para trocar idéias também com os Gorilas, Piratas e Bárbaros Bretões ... já que é rico seu panteão, seja próativo e aumente sempre seu networking (argh!).

Para que todos esses privilégios possam ser desfrutados sempre, não posso deixar de pedir que cuide melhor de sua saúde, faça dieta e leve isso a sério ... mas comece essa chatice amanhã, que hoje é dia de comemorar.

Hoje, hasteie a bandeira de ossos no Monte Quirinal, bata forte e ritmadamente com os punhos fechados, seus pulsos no peito e solte um forte e autêntico grunhido bárbaro.

Parabéns!

19 janeiro 2008

Que chegue logo a despedida


meu amigos estão de férias,
partiram em outras batalhas,
torço que possam vencer.

eu mesmo, não me mexi,
fiquei criando raízes, até apodrecer,
até meu fígado deixar de ser.

indo para outra cidade,
ou ficando aqui, o que precisa mudar,
ainda parece que não pode acontecer.

eu nem sei, tenho que confessar,
sobre quem é essa busca, ou sobre que lugar,
tive vontade mas constatei ainda não encontrar.

deve estar bem escondido,
além de meu entendimento,
não poderia haver melhor esconderijo.

ja me disseram que está no espírito,
eu mesmo já senti que fosse assim,
mas agora, enfim, parece que em nada consigo crer.

já deixei de querer quem despertou meus sentidos,
deixei de esperar também a companhia dos amigos,
as músicas e lágimas ficaram secas e mudas, sem mais.

...

um dia, tudo isso vai,
achei que era logo,
tudo bem, não rogo mais.










14 janeiro 2008

Depois do Baile




Nada mais é como era antes,
Tudo que foi bonito, ou triste,
Agora é eco, recordação.

Perdendo um pouco mais de apego,
Sentindo um pouco mais de medo,
Aprendendo ser mais fácil deixá-lo passar.

Quem eu queria não foi, perdeu-se, esqueceu,
Dissolveu-se no meu desejo, ou foi no seu?
Enfim, não tem pra mais ninguém, esvaneceu.

Agora dança, toda aquela esperança,
Agora descansa de toda a desilusão,
Afina consciência, que ainda te salvará.


04 janeiro 2008

Alpha




Será então a hora do ensaio, parar, enquanto o ano vai chegando ao fim. Serão, enfim.Umas horas ocas, não digo vazias, mas cheias de ecos, reverberando entre as paredes de memoráveis passados e possíveis futuros. Seremos sábios, ou burros, ao nos perdermos do presente, para vagar em tempos que não existem mais, que não se pode prever?

Não sei bem, dizer. Mas agora não me parece, de fato, que pudesse ser diferente. Visto que mesmo duros, ou frios, a gente sente, que depende desses tempos, fora do tempo presente. Para nos situarmos no rumo, para rever o caminho, fugir ao infortúnio, ou encontrar a coragem de partir do zero, por mais amarga que seja a sensação da derrota, se ainda nos bate à porta, a vontade e inconformação, então, terá de ser assim, por você, por mim.

Nesses dias raros, em que sai de minha casa e meu trabalho, para voltar aonde já foi meu lugar, assombra-me uma sensação de conforto junto aos meus, uma tranqüilidade mesmo, assim. Lembro de algumas pessoas, com quem convivo e agora estão distantes, mas essa memória nada me desperta além de um vago sorriso, um olhar para o nada, impreciso e desfocado. Um, sei lá, estado bom de saudade sem desalento.

Outra vez, em muitas das coisas comuns, me surgem acasos que parecem, tão bem cuidados, para me dizer, para não me deixar esquecer. As portas que ainda deixei fechadas, ou entreabertas, balançam com o vento, me chamando. Engraçado que, em outros tempos, esses gemidos e trancos do vento estavam acompanhados do grasnar sombrio de corvos, de gotas de chuva e céu nublado. Agora, apenas ouço o som que passa entre as árvores, da brisa que vira vento, do vento, que ao assobiar não me assunta mais. As portas batem, mas sem reclamar. Na luz estourada do dia, compõe sim um som, arranjo compassado. Não as temo mais, desejo voltar.
Não se trata mais de viagem melancólica ao passado, não mais uma viagem sonhada, em que eu deixe minha vida de lado, não. Vou agora conquistar o que havia deixado para trás e percebo que me é tão caro. Vou agora de peito mais leve encontrar no futuro o que perdi no passado e a vida continuou, obstinada, me ofercer, na praia, todos os dias, mas eu não enxergava. Agora posso ver, ouvir e sentir que me toca aos pés, trazido pela maré, pelos ciclos, os visíveis e desconhecidos.

Nessas horas, sorrio enquanto me espanto, ao viver, as portas surgindo e se transformando em presentes, vindo com as ondas, desmanchando-se em espuma. Eu os toco mais ainda não os sei capturar. Passam entre meus dedos, mas não há de que reclamar. Meu sorriso vira risada, pois só sinto a graça de enxegar e não saber ainda, o que nem como fazer.

Por hora essa risada me basta, irei torná-la muito mais a rir e a dizer.

24 novembro 2007

Mais nenhuma rima preciso ter


Às vezes parece que a vida não desce,
não sobe, não cresce e aparece.

Às vezes parece que tem um engasgo perdido,
no espaço entre o estômago e o ouvido,
faz eco e aperta o peito, parece defeito,
incomoda essa aflição sem jeito, sem sentido.

Em algo do que ouço e vejo, parece que se enseja um desejo,
começo a me interessar, um olhar, um Lampejo,
algumas idéias em rodopio, sinistro,
pergunto-me se confio, se insisto.

Tenho vontade de olhar o Mar e mergulhar,
vontade de não deixar, a onda vir e voltar,
sentir-me imerso, de todo envolvido,
mas me pego disperso, em memórias, ressentido.

_Ah, quem me ouça, que transtorno descabido!
parece-me coração de louça, mal colado depois de partido,
não entendo, não me parece ter porquê,
então me lembro, de uma figura, que pode ser você.

Você, que foram tantas pessoas ao longo da minha vida,
parece perfeito achar essa acolhida, para um não sei quem, nem o que,
ótima maneira de ter um objeto, responsável pela ferida,
muito conveniente me esconder no dejeto, ter um algoz, nessa lida.

Quase me basta essa mentira, quase me convenço, a me perder,
tão assim decidido, parece que sofro, mas não posso deixar de escarnecer,
_Ora que vexamosa essa postura, não me venha, que não dura,
esse lamento meloso, esse nhenhenhém seboso, nem vem que não tem!

Salva-me mais uma vez, de mim, meu companheiro, o riso,
da-me voltas sem fim, para o alívio, o remédio preciso,
solta-me as amarras dos músculos, infla meu pulmão preu respirar,
espreme meus furúnculos, aplica-me unguento, pra me curar.

Rio então, riso que corre caudaloso...mais nenhuma rima preciso ter.

Variações sobre o mesmo tema


Retoque sobre foto de René Amunssen

eu queria muito que muitas coisas fossem diferentes,
a começar pelo meu querer.

que não me tomasse,
que, para mim, pudesse tanto fazer.

não ter mais as vontades,
deixar de me importar e apenas viver.

estaria pleno, num presente sem sentimentos,
sem mais, lembranças, saudades, planos, bobagens outras quaisquer.

nada de deixar-me arrastar,
extintos os tolos tormentos,
nada para me atrapalhar,
nem para me entreter.

...

ah, sim, bem se vê, quem clama assim, não se contenta com o que quer ter, diria mesmo que, tanto anseia, que perde-se em seu querer.

09 novembro 2007

Farias e Franciscos




Ah, minha senhora,
há quanto tempo...

Quanto sentimento não passou por esse peito,
quantas vezes nao pensei em ti e sei, você em mim.

Agora em fim, irei revê-la e aos meus,
há tanto tempo distantes, ausentes.

Penso em tantas coisas, achando que sei,
achando que quero o bem de vocês.

Tão pouco posso eu saber, tão longe vim viver,
seus olhos me dariam lágrimas, ou desdém.

Bem se sabe, que meu tipinho encardido,
cheio de vontade de saber, só iria se fuder.

Assim eu vou, meio daquele jeito, sem saber,
melhor que abaixe a cabeça e respire fundo.

Que seja suave essa passagem, que seja intensa sua mensagem,
vencidas as estradas, venham as palavras, o olhar, o amor.

06 outubro 2007

Guilhotina




Cabeças irão rolar,
quem sabe assim, saem do lugar,
do qual estão acostumadas a ficar,
envelhecendo sem propósito.

Palavras pra defender,
serão armas descarregadas,
lâminas cegas,
incapazes de ferir.

Convicções adoentadas,
muralhas de paradigmas,
farelentas e instáveis,
farão estrondos, ao ruir.

Expressões impávidas,
estarão mesmo ávidas,
para livrar-se de serem juizes,
do que não podem entender.

Lá fora a dança,
da plebe que clama,
"_Cabeças, cabeças!"
que as possam divertir.

Nos planos invisíveis,
que circundam essa contenda,
as verdadeiras fileiras,
não mediram forças para brandir.

Seus lábaros de mágoas,
rancores encrustrados,
máquinas de guerra aviltantes,
alimentando o caos para destruir.

Remontando à histórias desconhecidas,
profundezas das mentes parvas,
montes de doenças e larvas,
chafurdam refesteladas, em frenesi.

Mas, se de toda essa cena de desconsolo,
surgir o espírito que se curva, sem dolo,
brilhará sobre os destroços, mais que o ouro,
iluminará as ruínas, de onde irão surgir...

A verdade, a compreensão e o perdão.

05 setembro 2007

Com quem?


aquele dia especial se foi,eu nem te liguei,
os dias se foram,a gente nem se falou,
os passos nos levaram,onde desejávamos ir,
partir tornou-se corriqueiro,
banal o adeus, quem sabe um dia, talvez...
...
eu te vi, há poucos dias, mas estranhei,
um jeito, sem jeito, meu e seu,
as palavras que não casavam tão bem,
os olhares que não se encontravam além,
o que era cedo parecia tarde,
mas, sem alarde, me calei,
depois entendi, fiz que não percebi,
enganando a mim, quem sabe, a você
...
o tempo passou,lembrei de você muitas vezes,
falar isso é tão boçal,você não vai acreditar,
mas eu acho, que a vida é mesmo assim,
as vezes a gente quer ouvir música de fossa
as vezes a bosta é fedida,mas a gete não sabe se limpar...
...
as vezes a rima é pobre
e o prazo passou
mas mesmo assim
a gente insite em dizer
por acreditar
que vale a pena
...
sinto sua falta

20 agosto 2007

Mais uma queda



lá se vai...mais uma bastilha a ruir,
mais uma estrutura que não se sustenta,
mais sustos e desassossegos,
vão se embora mais apegos,
as penas que tinham que ser pagas,
estão prestes a acabar e sumir.

lá se vai mais um pouco de ilusão,
desmachando-se e levantando sujeira,
entupindo nossas vias de dores e besteiras,
vai-se o abrigo, por mais opressivo,
pesado que tenha sido, que lastima, amigo,
por quanto tempo pudemos viver aqui!

nesse prenúncio, véspersa da verdadeira queda,
os ventos e silencios, são sussurros e agouros,
os segredos e mistérios, serão descascados de seus ouros,
os gritos de desencontros, as palavras caladas à força,
agora não poderão mais ficar escondidas,
cai o pano, desce o véu, não haverá pra onde fugir.

horas consagradas à morte,
quando os últimos laços irão se partir,
última hora da noite,
última pele para açoite,
regurgito de beladona,
lágrima amarga, mas de alívio e suspiro ao porvir.

------------

ah...

cada caminho agora terá um sentido mais amplo e a liberdade será a força para reconstruir os destroços deixados pela revolução.

que deus nos abençoe.


-------------

A Atropa belladonna ou simplesmente Beladona é uma planta pertencente ao gênero Atropa bem rara, encontrada em solos húmidos, principalmente a beira de rios, lagos e represas.
Apesar de seu elevado potencial de intoxicação, essa planta é utilizada na produção de alguns medicamentos, devido a presença de um alcalóide chamado atropina em suas folhas.
No Brasil, essa plante é geralmente encontrada em ruínas, quase que passando despercebida, sendo atraída por suas chamativas flores. é uma erva bem rara, cultivada em coleções de botânicos e especialistas.
Devido ao fato de seus frutos, quando ingeridos puros ou na forma de chás, provocarem efeitos psicoativos (alucinações), essa planta é utilizada como droga por algumas pessoas.
Porém a ingestão de quantidades superiores a 5 bagas pode ser mortal. Ela também é matéria prima na formação de um medicamento homeopático que leva seu nome.
(Wikipedia)

01 julho 2007

Para um amigo distante


Esse cara é uma das melhores pessoas que já conheci.
Que mais me ajudou e compreendeu, em minhas maluquices.
Agora está lá nos cafundó, mas espero vê-lo em meu aniversário.
Aproveite que está amando e pare de ficar cuzido-lamentudo.



É assim que começa,
pensando um pouco diferente,
estendendo um silêncio,
pra não dizer por dizer.

Deixando ser mais leve,
sabendo ser mais breve,
até onde ainda não fui,
um passo mais, pra aprender.

Vê? Sempre que a vida confirma,
se tem você que passar,
depressa demais,
perde a chance de estar presente, em si,
de tanto desejar o que escorre pelas mãos.

Ora, claro, pode valer-se de um anteparo,
espelho de cristal raro, lata que reflita,
ou ainda sua consciência, que lhe permita ver,
sentir-se humano e saber-se assim.

18 junho 2007

Estava louco


Para achar alguém,
que me salvasse,
mas era só bobagem,
pois quem tem que me salvar,

sou eu.

08 junho 2007

Se você adivinhar, não vai nem acreditar


Não que eu não tenha nada interessante para dizer.
Mas agora está meio entalado, meio verde.

Não está na hora.

Engraçado isso.


Eu sei que não saber o que falar agora é um momento que também faz parte de todas essas mudanças.

O que me dá essa certeza?
Ouvir a Elis cantando:
"Mesmo que eu mande em garrafas, mensagens por todo o mar..."


Perfeito.

28 maio 2007

Não há de que


Retoque sobre foto de banco de imagem.

Tanto dizer ou considerar,
já que não é por você,
pra que se interessar?
já que realmente passou a dor da lixa,
que te ardia e abrasava.

Ah sim, Deus, graças,
que eu possa um pouco mais respirar tranquilo,
que eu não me esqueça mais de como é bom,
ser, assim, simples,
estar aqui,
olhar tudo isso e rir.

A chacota que não me cabe mais,
deixa de dar a esse riso um tempêro,
mas que incrível atropelo,
da volta da vida, sobre mim,
que já não tenho mais,
que tanto querer, nem sofrer,
nem riso insidioso, que rir.

......................................................

Mesmo muito cansado, de um dia comprido demais, não pude deixar de passar por aqui.
Mais uma vez me espanta a forma como as mudanças estão chegando e ganhando terreno.
Não havia ainda me tocado que é exatamente da palavra desapego, que se trata o momento.
Olha, que de tão incrível essa liberdade, ouso dizer que ainda não lhe senti direito nem o gostinho, pois parece ter um paladar inigualável.

......................................................

Ah! Não me olhe assim,
não me fale torto,
não me falta um porto,
não me diga não,
só por dizer...

Eu aqui, você ai,
quando tiver bons modos,
terá convite,
se não souber se portar,
deixo o tempo passar,
que você em seu terreno,
há de descobrir o que precisa,
para poder partilhar,
e ser feliz.

20 maio 2007

Falta


Retoque sobre estudo de Daniel Furtado

Pouco para o fim do domingo,
Pouco que ainda possa guardar,

Faltam algumas presenças,
Mesmo que já não as queira mais,

Palavras, faltam também,
Falta compreensão e paciência,

Creio que me falta mesmo é a decência,
De deixar passar.

....................................................................

Desejava sim, um remédio raro,
que não me fosse caro,
que eu pudesse ter,
que pudesse me curar,
me dar um brilho nesses olhos, embotados.

Desejava também não querer a cura,
dar um tempo pra essa cabeça burra,
que teima em não se dar com o coração,
passando as noites em claro, pedindo perdão.

Nem mais queria a sombra e o sono,
um fim talvez, que bom, assim,
partiria satisfeito em abandono.

Até que a vista das areias passadas,
não me fizessem, nada sentir.

Até o fim da estrada.

....................................................................

Bem besta mesmo, tudo isso. Chega.
Pra finalizar no bom tom desse mau gosto, lembrei-me de Joy Division.
Muito bonita essa música. Vai um trecho traduzido.

Love will tear us apart

Quando a rotina corrói forte
E as ambições são pequenas
E o ressentimento voa alto
Mas as emoções não crescerão
E vamos mudando nossos meios
Pegando estradas diferentes

Então o amor
O amor vai nos separar
...

08 maio 2007

Mundano



Acho que eu fiquei tanto tempo e de tal forma afastado de tudo que se refere ao espiritual, que meus canais com o supra/além/místico, estão completamente obstruídos.

Sinto como se tivesse que mergunlhar na Baixa Idade Média da minha relação com o "Algo Maior". Preciso ir aos feudos derramados ao lado dos castelos, recorrer à igreja primitivamente já deturpada, deparar-me e depender humilhado de todo tipo de intermediário do divino.

Olhar assustado para as paredes altas da catedral, sentir o cheiro de velas e incensos e caminhar intimidado, entre o clero assustador, vestido de preto e o semblante pesaroso dos pecadores arrependidos.

Prostrar-me em um banco de madeira sebosa e ouvir o lamento dos cânticos até que o sacerdote chegue solene. Buscar manter a razão de minha busca aflita, mesmo que o santo padre coloque-se a recitar em um indecifrável latim, de frente para o Santíssimo e de costas para a turba confusa e ignorante, nós, os improváveis fiéis.

Se eu quiser falar com Deus...
......................................................................

SE EU QUISER FALAR COM DEUS

Gilberto Gil - 1980

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com
DeusTenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com
DeusTenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

30 abril 2007

Ultimato


Castelo de Areia - Recorte de arte surrealista

Então você estará lá, parado,
então não saberá o que,ver, pensar, ou dizer,
poderá agir como um tolo,
ou apenas, como só poderia você,
lata, ou prata, não lhe cabe agora,
talvez não lhe caiba jamais, saber.

Sobre essa sua corte, desmantelada,
o reino de seus domínios, perdido,
como nunca puderam prever,
nessas terras, sem mais castelo,
vagará incerto e muito sério,
tentando desvendar o místério,
de queda, assim, tão radical.

Passará em seu deserto, um exílio,
auxílio único, que poderia aceitar,
coberto de chagas, sedento e com fome,
aprenderá sobre as pragas, que trouxe pra si,
mas elas, que brotarão, de dentro pra fora,
iram se misturar a miragens e memórias,
até que suas, já abaladas, muralhas, possam ruir.

Não vejo daqui, de meu mirante,
mais detalhes, nada nítido, adiante,
por isso temo, o que será seu porvir,
visto ter sido sempre, tão afeito,
a protelações e outros desrrespeitos,
nessa hora, de nada valerá qualquer apego,
terá que estreitar-se consigo, ou sucumbir.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Tenho um pouco de medo e outro pouco de vergonha de estar assim, tão cheio de onda e dores morais. Era agora pra eu dizer que tenho tudo pra ser feliz. Nem dizer, que felicidade não se diz.
Mas eu voltei a cavar pra ir mais fundo. Eu vivenciei o inesperado. Tenho sonhado com coisas guardadas há muito tempo. Estou ansioso para ouvir alentos, mas o que me chega, de tão comum, e eu assim, tão bunda-mole, é gelado ou fervente, áspero, estridente.
Tá foda, mas eu sei, é assim.
Depende de nada, só de mim.
Ai, que bosta...
Enfim.

23 abril 2007

Eita!


(Usei essa Fênix para expressar meus sentimentos a uma pessoa que havia perdido seu pai. Achei que pode parecer esquisito, mas me fez muito bem)

Que esse blog quase morre de novo, de tanto tempo que eu fiquei sem postar nada.

Eu sou um cacete mesmo. Empacado. Lento. Eu irrito a mim mesmo de uma forma que nem é bom começar a falar.

Me perco na alienação e aprofudamento exacerbado em mim mesmo. Nas minhas rotinas, nas minhas neuras.

_Veja se pode uma coisa dessas!

Com tanto mundo, com tantas gentes que tem por ai.
..Vai dar uma volta, caramba!
Aposto que vê um rosto azedo, mas também um sorrindo. Nessas ruas tranquilas da cidade que ainda mora, não duvido ter criança brincando na rua, vizinhança fazendo fofoca, uma brisa boa e por-do-sol.

Menino, que preocupações tantas são essas! Cada dia é um dia e se você acumulou tanto o que tem pra fazer, agora não se desespera. Cobre-se mas pondere.

Senão gasta a força toda que tem, só com os nervos apertados, da ânsia de resolver. Tá bom?

Respira e agradece.
Não esquece.

Padece aquele que não sabe viver.

(Socorro, que não fui eu quem escre veu isso! :) )

21 abril 2007

Fígado


Prometeu acorrentado.
Retoque sobre foto:
http://www.h3.dion.ne.jp/~pwonder/prometeus.htm

Não sei se eu primeiro encanei com ele e logo ele não ficou bom, ou se eu estava incoscientemente percebendo alguma coisa.

Mas, enfim, vi que é um bom tema a se explorar:

Receita de pastel de fígado de cabrito (século XVI):
«Tomarão o fígado do cabrito cozido e então ralado mui ralo, e as gemas de ovos duras também assim raladas. Então deitado cravo e canela e açucar, que seja doce, e então uma pouca de farinha peneirada num prato, e tomai aqueles véus do cabrito e fazei-os em pedacinhos, e então o recheio metido naqueles véus fritos como beilhós; então enfarinhados na farinha e fritos na sertã e passados pelo ponto de açucar alto e cobertos de canela por cima.»

Provérbio holandês
"Iets op je lever hebben."
Tradução Literal: "Tendo alguma coisa em seu fígado."
Significado: "Preocupando sobre alguma coisa, e não expressando isto."

Um significado da cor amarela
O primeiro é da origem da palavra: amaro significa amargo. Do latim amaru, que derivou ao baixo latim da Espanha "amarellu", pálido. Os doentes de icterícia ficavam pálidos por alterações na bílis, secreção do fígado, amarga (amara). Esse significado ficou na história da medicina.

Pedras
Tem página que diz que o berilo e a água marinha (pedras semi preciosas) fazem bem ao fígado.

Cabala
Nem sabia que tinha essas coisas na cabala:
Ayin
Alma=Fígado.
Sentido=Raiva



Anatomia secreta at Biosofia
Adorei essa descoberta, tem muita coisa legal, alguns trechos:
"o fígado é o grande gerador de forças, o criador da cólera, da coragem e das virtudes do guerreiro. Ele também é associado à natureza inferior e às qualidades menos nobres da personalidade. Porém, o fígado que não seja sobrecarregado e tenha boas condições de trabalho conseguirá manter o sangue puro, ajudado pelos rins e por toda a equipa de transmutação química do nosso organismo."



"O fígado está simbolicamente associado às provações do caminho espiritual. No mito de Prometeu, o herói rouba o fogo divino de Zeus, activando a espiritualidade humana, mas passa a ter o seu fígado devorado durante cada dia por uma águia. O significado esotérico da história inclui o facto de que, quando alguém se conecta com a energia divina, deve pagar o preço correspondente em termos de purificação pessoal, tarefa chefiada no Plano Físico pelo fígado. No caso da gula, por exemplo, um problema emocional - a busca cega de prazer físico imediato - acarreta um problema físico, um físico sobrecarregado de trabalho, o que repercute sobre a função renal."



( http://biosofia.net/2001/12/22/anatomia-oculta/ )
. . .
Vale a pena pensar sobre,
Vale a pena viver,
Vale não alienar-se,
Vale encontrar um tempo,
Pra melhorar a consciência do que é ser feliz.

Quando meu amigo faz aniversário eu fico feliz?



Sim,
o tempo passa,
à margem de nossa,
tosca percepção,
e a gente fica, assim,
espantado porque já passou,
mais que a metade do dia,
mais que a metade do mês,
quase a metade do ano.

se não me engano,
foi ontem que a gente riu muito,
que fomos àquela viagem inesquecível,
que revimos grandes amigos.
que perdemos contato com alguém especial,
que esquecemos qual era o filme que queríamos rever,
a mensagem que recebemos e guardamos com carinho,
esquecemos de nós mesmos,
por isso, tudo,é possível esquecer
...
então,
é sempre agora a hora,
porque o que já passou, distante,
e o que o futuro nos promete trazer,
serve, sim, em muitos instantes,
mais para nos esquecermos,
para achar e depois perder
....
para, amigo esse relógio,
hoje, rasga a agenda,
desliga o telefone,
vamos beber
...
fazer uma farra pequena,
em sua homenagem,
traz sua menina, a galera e toda bagagem,
o que vale a pena, a gente há de lembrar,
felizes na bebedeira de mais um ano que completa,
muitos outros futuros, sonhar e prometer.
...
Essa foi para o aniversário do meu Amigo.
Pena...eu não tava legal e até parece que fui incoerente com o que escrevi.
Sei lá, não era o que eu queria.
Ontem tava passando mal mesmo, hoje não to mas parece que meu humor tá bem do avesso.
Pq? Não sei e sei...minha cabeça não para e tem tanta coisa que passa, conflitos internos, perrengues externos...só de falar parece que o fígado já começa a arder.
Mas tá, tudo bem...eu vou dar um jeito, uns jeitos, quem sabe, talvez.

19 março 2007

CUMPLEAÑOS


Por esses dias fizeram aniversário a Lívia, a Eiko e o Davi.
Eu comecei essas palavras pra um, mas acabaram por estender-se aos três.
Cabe-lhes, no meu entendimento e também a mim, quem sabe, a você...
---------------------------------------------------------
É.
...
O tempo passa, a gente envelhece,o mundo muda.
Só não muda, a verdade absoluta, de que nada será como antes.
Os dias, ora queimam rápido, ora são longos, locomotivas a se arrastar.
As estações podem ter ficado longe, longe, tudo aquilo que não pudemos levar,olhar para trás não trará nada ao antigo lugar.
...
O risco mais desastroso, é que tudo isso passe despercebido,sem que se pare um pouco pra pensar.
Sem que se dê conta da poeira acumulada, dos restos de palavras guardadas, no fundo das gavetas e do peito.
As justificativas para deixar passar, quase como se não fosse, como se não houvesse nada a perder.
Pode bem parecer tranquilo, o poder de trancar a porta e engolir seco pra não ter que dizer.
...
Os passos cansados não valem tanto assim, não vale a miséria acomodada pra reclamar, o direito de ficar esquecido de si.
Não passa em branco, o cinza sujo da indiferença, a sentença pequena que insista pagar.
Por isso, levanta, mesmo que timidamente, planta a semente de um dia, o porvir.
Breve, todos deixaremos de estar e na sala vazia as palavras perdidas, não serão mais do que ecos.
...
Assim.