19 abril 2008

Você e




Morrer são duas coisas que me interessam. Definitivamente.
A morte pela sua inevitabilidade, mas em especial pelo seu aspecto de sombra do viver.
Sobre você, eu poderia dizer, mas ainda não sei bem o que.
Então eu falo sobre morrer.

Morrer como processo contínuo.
Morrer como envelhecimento.
Morrer como transformação.
Morrer para desapegar-me.
Morrer para transitar entre mundos.
Morrer para mergulhar no esquecimento profundo.

Agora que eu desejo a vida de uma forma completamente nova, a morte me cai bem.
Para cima e para baixo, escorregando por escadas em espiral.

Vou deixar para você um sorriso escondido no meio dessas palavras estranhas.
Vou dizer que me assanha saber o quanto a gente se entendeu antes mesmo deu entender.

Dobro duas folhas de papel em um origami improvável.
Sopro no ar, balançando um móbile imaginário.
Danço com a cabeça, lembrando do seu rosto.
Acaricio meu próprio ombro, como se não fosse.
Me entrego a preguiça de levantar, mais uma vez.
Venho até aqui e dedico tudo isso a você.

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