Quase morto
quase enterrado
quase deixado
quase não mais
à espera do tempo que está para chegar
você pode estar derramando o que lhe resta
pra não ter que se deparar
com o que não lhe falta mais.
14 janeiro 2014
26 dezembro 2012
Os Cães da Serra
Seguia meu caminho já cansado e meio desconfortável na luz confusa do
horário, quando me lembrei duns versos antigos que havia lido minha avó, quando
chegávamos à sua casa, nessas horas de fim de tarde:
“Enquanto
passo na estrada,
Através
desses lugares perdidos,
Passam
esses lugares também,
Através
dos tempos e de mim,
Avançando
com as memórias do dia,
Rumo a
seu fim.
Que se
inicia a hora da troca das luzes,
É o
lusco-fusco que toma as passagens,
Deitando
sobre tudo um filme de transição.
Descerra
seu véu de confusão e incerteza,
Em seu
auge coroado pelas luzes da noite,
Antes da
luz do dia terminar de partir.
Passo
eu, passa a estrada e o dia também,
Sobe lá
na serra uma névoa fria e pesada,
Anuncia
o canto distante da coruja,
Adeus,
adeus. ”
Sim, bem satisfeito posso dizer-lhes, que sou o senhor de todas
essas terras, até onde a vista alcança e ainda além. Quase como um rei, diria
um lisonjeiro amigo meus, às vezes cruzo essas trilhas, apenas para admirar sua
extensão, o que infelizmente não era o caso nesse dia, em que tomava para mim
uma missão.
Quando a noite veio, assim num súbito, acelerei até a porta do
estalajadeiro, que recebia os viajantes e cuidava de minhas terras no topo da Serra dos Nunca Mais, para ter repouso
seguro e cumprir meu propósito junto a ele e os seus.
Com efeito, o anfitrião recebeu-me caloroso, que há muito não
tinha minha presença por ali. Chamou as crianças e a esposa, que me vissem e
cumprimentassem. Pôs-se a senhora à cozinha e ele me veio com dois cálices à
mão, pediu-me que sentasse na cadeira alta ao lado da lareira e contasse por
onde andei, enquanto sua Dona preparava-nos uma sorte de porções de pães e
caças da região.
Em meio às aventuras e trivialidades, que achei por bem
contar-lhes, foram entretendo-se, até que senti estarem descontraídos e prontos
para que pudesse dar-lhes a notícia do caso
dos cães-de-chifres.
_Assim como outros em minhas terras, vocês consideram essas
feras, apenas lenda remota, fruto da imaginação dos ignorantes. Esclareço-lhes
que são sim, uma espécie rara de cão-do-mato. Eu mesmo só vi um desses quando
ainda era um adolescente, mas fiquei para sempre impressionado com seu tamanho,
pelagem rústica e opaca, nuns tons de enferrujado, os dentes saltados das
mandíbulas, compridos e muito afiados, mas sobretudo, com os chifres no topo do
crânio.
Não que fossem ameaçadores em si, como os dentes, não. De sua
base, ainda coberta com os pelos mais finos da cabeça, até a ponta, mediam
pouco menos de um palmo e eram curvos para trás, rentes ao crânio, sendo de
fato, muito raramente usados para ataque ou defesa. Mas aqueles cornos, de cor
de grafite, na cabeça de um cão-do-mato daquele tamanho, causavam em qualquer
um, grande espanto. Lembro bem de minha mãe, desenhando com a mão sobre si o
sinal da cruz, rápida e repetidas vezes, murmurando alguma prece, que Deus nos
protegesse.
Nessa hora o casal ouvia-me muito atento e de olhos arregalados,
as crianças, que já deveriam estar em suas camas, esgueiravam-se no escuro,
cheias de medo, mas de olhos brilhantes, ávidas por continuar a ouvir.
Segui esclarecendo que, naquela primeira vez que tivera contato
com esse tipo de animal, meu tio-avô, Dr. Augusto, explicara à toda família:
_Essa aí que foi morta pelo Dimas é uma fêmea jovem, mas estou
certo de que pariu há poucos dias. Se outra fêmea da matilha os adotar, inda
podem atormentar esses fazendeiros mais isolados nos pés das serras. Costumam
ocupar cavernas nos topos dos penhascos para dormir e procriar. Com seu porte,
força e hábitos noturnos, descem à noite para os pastos e tem preferência pelas
ovelhas e cordeiros, que abatem com facilidade, diferentes de cães-do-mato,
aqueles comuns, que no máximo, dão conta de caçar umas galinhas.
Exatamente por isso seu número estava muito reduzido nas regiões
das fazendas dos pés-das-serras, onde os caçadores os haviam perseguido e quase
exterminado. Há muito já não se via um, como aquela fêmea, caçando em pasto de
criação. Então, desde esse episódio antigo, nunca mais se ouvira um relato
sobre um cão-de-chifres.
Ergui meus olhos que fitavam o fogo enquanto falava, dei um
longo suspiro, a senhora estendeu-me um copo d´água, sorvi uns goles, acenei
com a cabeça e prossegui.
_Acontece que há dois dias, um campeonato de caça motivado pela
rivalidade entre os Pontes e os Oliveiras, teve início com meu consentimento.
_Essas famílias arrendam as terras do Senhor, do outro lado dos Três
Rios, disse à sua senhora, o estalajadeiro.
_Isso mesmo. Percebi tardiamente que deveria ter intervido, mas sem
que me desse conta, eles empolgados em deitar à mesa de seu Senhor e Juiz, um
número maior e variedades vistosas de caça, meteram-se a subir a Serra do
Arrepio, além da zona de caça.
Para azar do jovem, filho mais novo dos Pontes, Josué, creio eu,
era ele quem ia mais avançado e deu de cara com a matilha à boca de sua
caverna. Não teve tempo de recobrar-se do espanto e do arrepio que subiu-lhe,
da espinha à cabeça, ao vê-los alinhados, rosnando raivosos de olhos
vermelhos...
Quando Pedro Pontes, seu irmão mais velho vinha chegando de
longe, viu o maior dos cães, esgueirar-se pelo lado esquerdo de seu irmão e
avançar saltando em sua orelha, arrancando-a num instante, deixando o pobre no
chão, aos berros e seguindo como um raio em direção oposta, descendo a serra,
acompanhado da matilha. Pedro ainda jurou ter acertado dois deles, ao que os
outros caçadores zombaram, pois nenhum fora tombado e não havia rastro de
sangue nenhum por onde sumiram na mata.
O caso é que, ao que tudo indica, a matilha, que devia contar
com uma dúzia de cães, deve ter seguido rumo ao pé oposto da serra, que dá na
Travessia dos Três Rios. A esses exímios nadadores, não seria grande desafio,
atravessá-los, ainda mais nessa época de seca. Logo estariam subindo a Serra dos Nunca Mais em busca de uma
nova caverna pra se abrigar e logo estariam caçando novamente.
Diante da expressão grave do pobre homem e da face de terror de
sua Dona, procurei tranqüilizá-los, garantindo que já perseguia os cães, um
grupo dos melhores caçadores e que na manhã seguinte, chegaria à estalagem
outro grupo, que partiria dali, com o objetivo de encurralar os cães em seu
caminho de subida à serra. Destaquei ainda que três deles montariam guarda na
estalagem para proteger-lhes.
Assim, um pouco mais confortados, puseram-se a deitar as crianças,
levaram-me lá em cima no quarto mais alto, que estava todo pronto para recebe-me
e deixaram-me a ouvir de lá de baixo, seu zêlo em cerrar todas as janelas e
trancar as portas.
Deitado numa cama quente e confortável, logo as imagens que vi e
contei, foram confundindo-se em minha mente e pude dormir.
Acordei assustado horas depois, como se alguém me tivesse
balançado na cama, sentei rapidamente e alerta, pude perceber pela janela, que
ainda era fim da madrugada e o dia ainda demoraria para amanhecer. Levantei-me
e desci os lances de escada, pé ante pé, na casa escura e silenciosa, rumo a
uma tênue luz que vinha da sala. Sobre a mesa escura em seu centro, encontrei
uma vela queimando, que me deixava ver um bilhete.
“Meu
Senhor,
Sinto muito que tenha tido de partir
assim, sem ao menos poder comunicar-lhe de nossa decisão. Minha esposa, que já
é fraca dos nervos, ficou por demais impressionada com a história que
contou-nos, Ainda mais ao imaginar os terríveis fatos que ainda poderiam vir a acontecer.
Implorou-me e não pude negar-lhe, que
juntássemos o essencial e partíssemos com nossas crianças para a casa de meus
pais na cidade velha, antes mesmo que as equipes de caça chegassem, jurando-me que
não poderia suportar tal tensão.
Peço-lhe que me perdoe e um dia ainda
me dê a chance de compensar-lhe essa falta, em momento de grande atribulação.”
George
e Família Gomes de Freitas
Apenas deitei o papel sobre a mesa, peguei o molho de chaves que
estava a seu lado, dirigi-me à porta e destranquei-a sem esforço.
Lá fora a lua cheia alta, não era suficiente para dispersar a
névoa da serra. Olhei para os lados e para o chão, avancei até a entrada do
pátio e pude ver pelas marcas na terra e no remexido das pedras que tinham
partido há muito pouco.
Detido em devaneios por instantes, um estalo de galhos no mato
me fez despertar e qual não foi meu espanto quando avisto, vindo da névoa da
estrada um vulto de gente. Procurei acalmar-me, convencendo-me ser um dos
caçadores muito adiantado ao grupo, mas logo pude ver pelos trajes que não se
tratava de caçador algum. À medida
que se aproximava, eu paralisado, mais espantado ficava, a reconhecer-lhe a
figura e duvidar que pudesse ser:
_Mas...tio...Doutor Augusto, o senhor...eu pensei, eu, não entendo...
_Não disponho do tempo que deseja, para todas as explicações de
que crê precisar, eu também venho cumprir uma missão.
Sua voz parecia a mesma, de tantos anos atrás, mas preenchida de
um eco, que vinha de outro lugar.
_Eu estava enganado meu filho, aquela fêmea, que mandei Dimas
matar, seus filhotes não tinham outra fêmea para cuidar-lhes, ela era a última
da matilha. Muito indefesos foram presas fáceis para os predadores da mata. Como
última adulta da raça, quando ela e seus filhotes foram mortos, os cães-de-chifres
foram para sempre extintos.
_Mas os caçadores viram a matilha, dias atrás e seus chifres...
_Sim, eu sei, eu sei... mas ouça. Quando Dimas matou aquela
cadela, foi ele quem disparou as balas que a derrubaram, mas eu era o
verdadeiro responsável. Ele mesmo perguntou-me se não a poderíamos prender e
mandar para o zoológico, tão impressionado que estava com o bicho. Eu disse
não.
A marca dessa decisão esteve comigo por anos. Por muito tempo
segui ileso, protegido através de artifícios forjados por um velho curandeiro,
que me devia muitos favores e foi fiel, mantendo os círculos fechados, mesmo
tendo partido depois de mim.
Como não houve termos de responder à minha culpa antes de
partir, e eu não deixei herdeiros, esta dívida chega até você, por ser eu irmão
de seu avô e tio do filho, seu pai. Pois agora quer chegaram a hora e o momento
certos, esta dívida é repassada a você, aqui e agora, como o único do meu sangue, que novamente abriu
as portas aos caçadores.
_Mas tio, o que está me dizendo, há testemunhas e o filho dos
Pontes ferido, foram eles, uma matilha de cães-de-chifres que eles acharam na Serra do Arrepio, eles devem estar vindo
para essas bandas, precisamos entrar, nos armar e montar guarda.
_Meu filho, agora me diga, puxe pela memória, aquela cadela que
viu deitada, morta a meus pés. Seus olhos estavam abertos e você foi quem mais
se demorou em examiná-la comigo. De que cor eram seus olhos?
_Negros, eram negros...
_E o pobre que teve sua orelha decepada, disse o que dos olhos
do cão que o feriu e de toda matilha?
_Que eram vermelhos...
_Vê os olhos vermelhos, disse apontando em redor, e pude ver que
se aproximavam rapidamente, vindos de todos os lados.
_ Os cães-de-chifres não tem olhos vermelhos...
19 dezembro 2012
Na antessala
Na última noite de domingo para segunda dormi mal, fiquei virando
na cama, de um lado para o outro, como se
alguém tentasse o tempo todo falar comigo e eu não
quisesse ouvir. Por isso minha cabeça ficou meio
congestionada, então eu queria passar o dia bem
tranquilo, descansar. Daí lembrei-me da antessala do céu. Ao que tudo
indica, o lugar mais tranquilo de toda a existência.
Há algum tempo atrás era um lugar movimentado, pois todos que estavam para entrar aos céus tinham que passar por lá. Em épocas mais agitadas, datas de grande número de ingressantes, o lugar chegava e ter algumas filas no atendimento e ouvia-se um certo burburinho, situação quase desconfortável para um lugar assim tão sóbrio e sereno.
Há algum tempo atrás era um lugar movimentado, pois todos que estavam para entrar aos céus tinham que passar por lá. Em épocas mais agitadas, datas de grande número de ingressantes, o lugar chegava e ter algumas filas no atendimento e ouvia-se um certo burburinho, situação quase desconfortável para um lugar assim tão sóbrio e sereno.
Com o tempo, em decorrência dessas
mudanças de estilo típicas da vida
moderna, o volume de novos habitantes veio
sofrendo lentas e graduais, mas sensíveis
quedas. Somando-se isso ao
aprendizado adquirido nas datas de
rush, os comitês de
logística e operações
tomaram uma decisão quase
que radical, para os padrões da casa: As
recepções passaram a
ocorrer diretamente nos
portais de entrada. Uma vez que você
cruzasse um deles, estaria em
um amplo hall,
com modernos
guichês de
atendimento, um confortável lounge com música
ambiente, sofás confortáveis,
naquele clima
perfeito
que só o céu
pode oferecer,
caso
alguém tenha
que aguardar
um
atendimento.
Uma beleza de
se ver.
A
antessala do
céu, por sua
vez, foi
destinada a um
imenso e pouco movimentado depósito e
estoque de
suprimentos. Logo
na entrada
três enormes mesas
baixas e bem
compridas,
alinhadas lado
a lado, com
postos para
dois
funcionários
em cada uma
das
extremidades. Até
elas, vindo lá
do fundo da
imensa sala, um
par de
esteiras para
cada mesa, em
movimento
ininterrupto
de ir e vir. Nos
dias mais
tranquilos, só
um desses
conjuntos dá
conta de todo
o movimento.
Ao fundo, prateleiras
tão altas
quanto o imenso
pé direito
desse lugar, tem
seus espaços
divididos
entre roupas
de uso
pessoal, cama,
mesa e
banho,
papéis e
tintas,
convencionais
e tecnológicos
de toda sorte ,
além de alguns
poucos
produtos
químicos de uso bastante restrito.
Lá
atrás depois
das
prateleiras,
quase que
esquecidas por
todos, ficam
duas salas de
recuperação e
repouso.
Acontece que a
equipe que
trabalha na ex-antessala
do céu, em
seus momentos
de
descanso, está
sempre
querendo passear pelos
portais do
céu, saber o
que está
acontecendo por ali,
conversar com
os amigos e
mesmo que
forem repousar,
fazem isso em
suas casas, ou
praças dos
arredores. O
fato é que,
sobretudo em
dias muito
chuvosos como foi essa segunda feira, a iluminação
normalmente
estourada de
branco dessas
salas,
fica bem mais
amena e
aconchegante,
o som baixo,
grave e
contínuo das
esteiras,
fica distante
o suficiente
para tornar-se um
mantra e a
temperatura é
simplesmente
ideal.
Sim,
já houve quem
me perguntasse
sobre
como obtive essas informações e eu não vi problemas em dizer:
_Os Pássaros, aqueles que me visitam à noite as vezes, guiaram-me uma vez até lá. O complicado é não ter certeza se com eles atravessei os portões de chifres ou os portões de marfim...enfim. Depois de cruzá-los e caminhar por um certo tempo num desses caminhos que não se pode bem distinguir onde fica, por parecerem apenas lugares entre lugares, o trecho meio escuro foi-se iluminando e eu estava lá às portas da antessala do céu.
Um funcionário me aguardava à porta e gesticulando pediu-me que o acompanhasse. Meio hesitante, meio encantado eu fui seguindo e entendendo que deveria ficar quieto e que ele não iria falar nada, não sei ser mudo mudo ou porque não podia falar. Caminhamos ao lado oposto das mesas e esteiras e por todas as vezes que olhei, aqueles que trabalhavam lá não desviaram a cabeça em nossa direção.
_Os Pássaros, aqueles que me visitam à noite as vezes, guiaram-me uma vez até lá. O complicado é não ter certeza se com eles atravessei os portões de chifres ou os portões de marfim...enfim. Depois de cruzá-los e caminhar por um certo tempo num desses caminhos que não se pode bem distinguir onde fica, por parecerem apenas lugares entre lugares, o trecho meio escuro foi-se iluminando e eu estava lá às portas da antessala do céu.
Um funcionário me aguardava à porta e gesticulando pediu-me que o acompanhasse. Meio hesitante, meio encantado eu fui seguindo e entendendo que deveria ficar quieto e que ele não iria falar nada, não sei ser mudo mudo ou porque não podia falar. Caminhamos ao lado oposto das mesas e esteiras e por todas as vezes que olhei, aqueles que trabalhavam lá não desviaram a cabeça em nossa direção.
Quando chegamos às salas ao fundo, o misterioso que não falava, abriu a porta da primeira sala e me indicou que na segunda eu não deveria entrar. Deu a entender que poderia ficar à vontade e que iria se retirar. Acenei com a cabeça que sim e ele se foi. Olhei em redor e naquele todo amplo e branco, de luz aconchegante, escolhi uma das longas e acolchoadas cadeiras de descanso e estiquei meu corpo nela. Que conforto incrível, que paz, que vontade de estar lá novamente e sentir-me como naquele dia eu senti, nessa segunda-feira cansada.
18 junho 2012
4 Testículos para Desenferrujar a Pena
Indo de Bauru para Campinas, em 08/06/2012
Olhando pela janela, acho que para pensar no que se vai escrever é melhor ouvir música estrangeira.
Essa viagem pode demorar mais porque há muita neblina na estrada.
Essa estrada poderia estar melhor, para que minha letra não ficasse assim tão tremida.
Essa estrada tremida pode demorar e acabar dando em lugar algum.
...
Os campos estão cobertos de neblina,
Olho para cima e para baixo,
Olho para cima e para baixo,
Enquanto passo rápido por eles,
Penso nas pessoas, ausentes agora,
Que passam suas vidas por aqui.
Ah, essas pessoas dos campos...
Ah, essas pessoas dos campos...
...
Voltando de Campinas para Bauru, em 10/06/2012
O que eu sinto mesmo, de mais relevante,
para a minha cara de pária, meu abobalhado semblante,
é um desconforto oco, daqueles que se sente na ausência de si.
Por mais que pareça, que o que merece essa bossa é descrença,
Por mais que pareça, que o que merece essa bossa é descrença,
Guardo, mui verdadeiro, aqui calado comigo,
Acima de tudo uma fé e um sentido,
De que um dia não será mais assim.
Antevejo, ainda que pálido e imensamente distante,
Acima de tudo uma fé e um sentido,
De que um dia não será mais assim.
Antevejo, ainda que pálido e imensamente distante,
Um tênue fio de luz,
Capaz de conduzir-me até mim.
Por isso, por mais que esse chão movediço me trague,
Pra esse ou aquele inferno,
Capaz de conduzir-me até mim.
Por isso, por mais que esse chão movediço me trague,
Pra esse ou aquele inferno,
Me ergo, acima do acabamento de minhas finitas forças,
Tateio, esocoro-me e subo, para a beira do abismo.
Insisto em seguir, vidrado, mesmo que confuso e perdido,
Tateio, esocoro-me e subo, para a beira do abismo.
Insisto em seguir, vidrado, mesmo que confuso e perdido,
Indo atrás da luz de vapor, do cordão prateado,
Desse fio esmaecido de esperança, passo em eterna dança,
Ah, essa marcha desdobrada do avesso e para sempre,
Nunca até o fim.
Ah, essa marcha desdobrada do avesso e para sempre,
Nunca até o fim.
...
Sim, eu fico sim, muitíssimo feliz,
Que a musa assim, sem avisar,
Me visite para contar,
Que ainda existe uma lira em mim.
Rogério Farias
Que a musa assim, sem avisar,
Me visite para contar,
Que ainda existe uma lira em mim.
Rogério Farias
09 abril 2012
Paladares
Pra tudo é preciso um gosto,
As vezes amargo ele precisa ser,
Por ser marcante e desagradável,
Mais fortes nos fará, será difícil de esquecer.
Que a vida sem sal, não levamos muito longe,
Negamo-nosa esse trabalho, sem justo pagamento,
As forças que cultivamos, buscando onde e como,
Quando nos basta o pão, vamos além no sentimento.
Pedimos que não nos maltratem tanto,
Não sejam ácidos, azedos em seus humores,
Mesmo que dessa dádiva mal compreendida,
Possam brotar outros sabores.
É certo que se me estende sua mão,
Eu em contrapartida, lhe ofereça a minha,
Mais doce e confortante a jornada,
Não será mais triste, nem sozinha.
Por isso não nos tragam receitas prontas,
Pra todos os paladares, vulgares ou raros,
Temperamos nossa receita com o que vem de dentro,
Para convidar nossos amores a esses banquete caros.
27 novembro 2011
Mariana
Quando Mariana bateu a porta com toda a força que conseguiu reunir, os moradores do 13° andar todo, mais do que ouviram o estrondo, perceberam as paredes tremerem um pouco. Ela estava com muita raiva, ódio ela diria. Seu rosto estava coberto de lágrimas e sua boca tremia. Ela não queria chorar, não queria que o nariz escorresse aquela coriza nojenta de choro, apertava os olhos tentando se conter, mas isso era evidentemente pior, os soluços e tremedeira só faziam piorar.
Durante toda a tarde daquele sábado, de clima quente e abafado, ela ficou no seu quarto. Queria que o mundo ficasse em silêncio. Que todas as coisas e pessoas se afastassem das paredes do quarto e ela pudesse ficar totalmente sozinha. Mas a tarde estava linda e isso fazia da piscina e do playground lá embaixo, tudo o que as famílias, crianças e jovens precisavam para fazer uma enorme algazarra, feliz e descontraída, com direito a churrasco e rádio pop pra acompanhar. Mesmo um pouco distantes, os sons e cheiros irritavam e agrediam Mariana. O mundo não dá um tempo quando a gente precisa...o mundo e a vida eram muito cruéis com ela nesse momento, era a base de todo aquele amontoado de emoções fortes que ela não conseguia controlar.
Quando o sol começou a se por, depois de várias crises de choro que foram indo e vindo até cansar, sua cara inchada e úmida começou a relaxar e seus olhos, que estavam vidrados no teto, piscaram cada vez mais longamente até que ela dormisse.
Durante toda a tarde daquele sábado, de clima quente e abafado, ela ficou no seu quarto. Queria que o mundo ficasse em silêncio. Que todas as coisas e pessoas se afastassem das paredes do quarto e ela pudesse ficar totalmente sozinha. Mas a tarde estava linda e isso fazia da piscina e do playground lá embaixo, tudo o que as famílias, crianças e jovens precisavam para fazer uma enorme algazarra, feliz e descontraída, com direito a churrasco e rádio pop pra acompanhar. Mesmo um pouco distantes, os sons e cheiros irritavam e agrediam Mariana. O mundo não dá um tempo quando a gente precisa...o mundo e a vida eram muito cruéis com ela nesse momento, era a base de todo aquele amontoado de emoções fortes que ela não conseguia controlar.
Quando o sol começou a se por, depois de várias crises de choro que foram indo e vindo até cansar, sua cara inchada e úmida começou a relaxar e seus olhos, que estavam vidrados no teto, piscaram cada vez mais longamente até que ela dormisse.
Numa penumbra quase total, Mariana esgueirava-se entre paredes irregulares e ásperas, estava sentindo um cheiro forte de mofo, apavorada, tentando nao raspar mais os braços já machucados pelas paredes, nem olhar para o chão, que devia ser de terra barrenta. Seu coração parecia estar inchando, quase estourando o peito. Ela não conseguia correr, mas andava e tropeçava, o mais rápido que podia, embora não surgisse nenhuma luz pra amenizar o desespero. Mariana estava com medo, com muito medo, nunca sentira tanto medo em toda sua vida.
Então ela ouviu um berro do seu lado, deu um salto e caiu toda torta, enrolada no lençol. Quando conseguiu respirar melhor e se situar, entendeu que o berro era do Siqueira do 6° andar. Ele queria que os últimos gatos pingados que ficaram bêbados no fim do churrasco, parassem de fazer barulho. Ela olhou no relógio, eram 23h15. Levantou apoiando-se na cama e cambaleou até o banheiro. Ao acender a luz sua cabeça doeu, como se estivesse numa ressaca daquelas e ao olhar no espelho, não sabia se ficava aliviada por ter acordado e saído do pesadelo ou se preferia voltar para ele, a ter que encarar aquela cara de zumbi de filme B.
14 novembro 2010
Coisas que se pode comprar, Coisas que se pode sentir
Estava eu, vendo vídeos, reportagens e twittadas pela rede e comecei a pensar em coisas que as pessoas procuram na internet. O quanto elas procuram essas coisas e melhor, pra quem procura, o quanto é possível achar.
Daí veio essa idéia de fazer um ranking de alguns termos mais encontrados. Mas logo que eu comecei foram surgindo as dúvidas. Logo comecei a tentar separar entre coisas materiais e não materiais. Decidi clasificar por COISAS, que se pode e que não se pode comprar. Usei o Google para fazer as pesquisas.
Tanto as coisas em si, quanto sua separação podem ser bem questionadas, claro. Um exemplo: televisão, não está no rank, mas se eu somasse televisão e televisor, entraria lá entre vestido e imóveis. Mas teria que fazer o mesmo para outros termos e fugiria da idéia. Casa é um termo que também nao coloquei, estaria no topo, mas significa um monte de outras coisas. Sexo também é polêmco, mas...quis deixar lá onde está.
Enfim, como minha idéia não era fazer uma pesquisa científica, nem provar nada pra ninguém, ficou assim:
Daí veio essa idéia de fazer um ranking de alguns termos mais encontrados. Mas logo que eu comecei foram surgindo as dúvidas. Logo comecei a tentar separar entre coisas materiais e não materiais. Decidi clasificar por COISAS, que se pode e que não se pode comprar. Usei o Google para fazer as pesquisas.
Tanto as coisas em si, quanto sua separação podem ser bem questionadas, claro. Um exemplo: televisão, não está no rank, mas se eu somasse televisão e televisor, entraria lá entre vestido e imóveis. Mas teria que fazer o mesmo para outros termos e fugiria da idéia. Casa é um termo que também nao coloquei, estaria no topo, mas significa um monte de outras coisas. Sexo também é polêmco, mas...quis deixar lá onde está.
Enfim, como minha idéia não era fazer uma pesquisa científica, nem provar nada pra ninguém, ficou assim:
| coisas que se pode comprar | coisas que se pode sentir | ||||
| 1 | música | 263.000.000 | poder | 172.000.000 | |
| 2 | perfume | 257.000.000 | amor | 160.000.000 | |
| 3 | arte | 175.000.000 | saúde | 33.800.000 | |
| 4 | moto | 142.000.000 | dor | 27.300.000 | |
| 5 | revista | 109.000.000 | ódio | 24.600.000 | |
| 6 | filme | 61.500.000 | pobreza | 24.000.000 | |
| 7 | sexo | 58.900.000 | verdade | 22.200.000 | |
| 8 | celular | 46.500.000 | força | 22.200.000 | |
| 9 | carro | 36.800.000 | alegria | 18.300.000 | |
| 10 | arma | 35.200.000 | mentira | 16.100.000 | |
| 11 | comida | 31.100.000 | beleza | 15.800.000 | |
| 12 | apartamento | 25.200.000 | riqueza | 15.200.000 | |
| 13 | livro | 21.300.000 | tristeza | 14.000.000 | |
| 14 | computador | 20.100.000 | medo | 13.700.000 | |
| 15 | dinheiro | 17.100.000 | saudade | 9.690.000 | |
| 16 | jogo | 16.700.000 | amizade | 9.390.000 | |
| 17 | imóveis | 16.500.000 | liberdade | 9.160.000 | |
| 18 | vestido | 15.900.000 | violência | 8.800.000 | |
| 19 | viagem | 13.200.000 | carinho | 6.510.000 | |
| 20 | bebida | 10.700.000 | vingança | 4.930.000 | |
03 novembro 2010
Tarde

Vai,
Caindo,
Um resto de luz,
Amarela e difusa,
No fim de tarde quente,
Deixando tudo mais lento.
Os sons dos carros na rua,
Minha mão balançando junto com a sua,
As crianças da vizinhança correndo, bem devagar,
Nada mais se sustenta no tempo comum, das coisas normais.
Dobrando a esquina, arrastados num esforço arfado, mas leves,
Os sons dos carros na rua,
Minha mão balançando junto com a sua,
As crianças da vizinhança correndo, bem devagar,
Nada mais se sustenta no tempo comum, das coisas normais.
Dobrando a esquina, arrastados num esforço arfado, mas leves,
Sentimos o quão breve é o fim desse dia inteiro, que não teremos de novo,
Jamais.
Jamais.
15 outubro 2010
Balada para o Capitão

Você não vai me dizer,
Mesmo que insista, não vou ouvir,
A palavra mais forte que cala em seu peito,
Me deleito, não posso compreender.
De tão distante, o discurso claro na sua pessoa,
Me soa, como bossa enredada num lamento ensosso,
Me soa, como bossa enredada num lamento ensosso,
Eu, definitvamente não ouço, o que tanto,
Tanto quer me fazer saber.
Por isso, tão tranquilo posso seguir,
Com apenas aquilo que me interessa estabelecer,
Tanto quer me fazer saber.
Por isso, tão tranquilo posso seguir,
Com apenas aquilo que me interessa estabelecer,
Como ciência do nosso dia-a-dia, bonito,
É só o que me cabe reconhecer.
13 agosto 2010
Você

Não sente, nem diz,
o que de pouco lhe resta,
não enfrenta, sequer pela fresta,
você perdeu, a porta sempre estará ali.
Se amarra em nós,
eu duvido, que perceba,
a corda que te prende, todas as horas,
todo momento, de graça ou não, enfim.
Por isso eu venho,
perdendo a vida nas regras,
que sempre esperaram de mim,
pra te dizer que não resta, nem um suspiro.
Do mesmo tanto que desprezo,
admiro, pra não deixar passar, nossa realidade,
onde, cada um por si, são poucos e poucos não podem,
não poderão saber, o ser, de todos nós, a sós, com afinco, não admito.
De tudo, só isso...
o moinho, o pó, o porvir.
20 julho 2010
Cai a máscara

Ainda que eu te dissesse alguma coisa,
muito me escaparia,
e desse muito toda a essência se perderia.
Ainda que falasse mais que o necessário,
eu iria falar,
em alto e bom som,
sobre todos os que ficaram e aqueles que sempre vão.
Pouco me restaria, a não ser lamuriar
e dizer, entre dentes e nervosamente:
_Está encerrada, perdoem-me a qualidade do serviço!
_Está encerrada a festa, eu insisto!
(a luz se acenderia, ouviria palmas)
Acenaria um aceno anêmico,
uns sorrisos amarelos e desapaceria,
pronto para retirar-me a meus aposentos e sussurar:
_Chega..
(A 4 mãos, com DriEiko [Salve!])
15 julho 2010
Para meus amigos
Um dia, num tempo que eu ainda não conheço,
minha vontade não terá mais preço,
meu desejo não será mais dono de mim.
Assim, as dobras das palavras e das vontades,
não falarão tão alto ao meu coração,
que restará, vazio, enfim.
Por hora, toda a graça e brilho mais forte,
toda aurora que irrompe num dia,
me coloca em olhares, me faz sentir.
Eu vou, caminhando sozinhamente,
em meio a tantas gentes,
largando no meio-fio, a saudade.
Desse tempo presente, tardio no dia-a-dia,
antecipado na ansiedade, que não é minha,
até que me baste, a falta de palavas para dizer.
Então, só da passagem, só na passagem,
de todo vento e brisa que vai e vem, eu saberei,
que os tenho comigo e nada mais.
minha vontade não terá mais preço,
meu desejo não será mais dono de mim.
Assim, as dobras das palavras e das vontades,
não falarão tão alto ao meu coração,
que restará, vazio, enfim.
Por hora, toda a graça e brilho mais forte,
toda aurora que irrompe num dia,
me coloca em olhares, me faz sentir.
Eu vou, caminhando sozinhamente,
em meio a tantas gentes,
largando no meio-fio, a saudade.
Desse tempo presente, tardio no dia-a-dia,
antecipado na ansiedade, que não é minha,
até que me baste, a falta de palavas para dizer.
Então, só da passagem, só na passagem,
de todo vento e brisa que vai e vem, eu saberei,
que os tenho comigo e nada mais.
16 janeiro 2010
São tantas

Lista de emoções, da Wikipedia
Agressividade · Afetividade · Aflição · Alegria · Altruísmo · Ambivalência · Amizade · Amor · Angústia · Ansiedade · Antipatia · Incómodo · Antecipação · Apatia · Arrependimento · Auto-piedade · Bondade · Carinho · Compaixão · Confusão · Ciúme · Constrangimento · Coragem · Culpa · Curiosidade · Contentamento · Depressão · Desapontamento · Deslumbramento · Dó · Decepção · Dúvida · Egoísmo · Empatia · Esperança · Euforia · Entusiasmo · Epifania · Fanatismo · Felicidade · Frieza · Frustração · Gratificação · Gratidão · Gula · Histeria · Hostilidade · Humor · Humildade · Humilhação · Inspiração · Interesse · Indecisão · Inveja · Ira · Isolamento · Luxúria · Mágoa · Mau-humor · Medo · Melancolia · Mono no Aware · Nojo · Nostalgia · Ódio · Orgulho · Paixão · Paciência · Pânico · Pena · Piedade · Prazer · Preguiça · Preocupação · Raiva · Remorso · Repugnância · Resignação · Saudade · Simpatia · Soberba · Sofrimento · Solidão · Surpresa · Susto · Tédio · Timidez · Tristeza · Vergonha
06 janeiro 2010
só isso
nÃo, deFINitivAMENTE, Não há nadA MELhor dO QUe ser lo u co, paa aara, nÃO ter que ter razão.
05 janeiro 2010
A mesma nau

pode-se perceber como passou tempo demais,
a se perder, dentro de labirintos de espelhos,
jogos de palavras vazias, sede que não se sacia,
ausência do mundo real e de você.
Então respira profundamente,
ensaia mil vezes até poder se mexer,
cheio tem que desaguar, toda água estagnada,
esgotar devagar, para não revolver o lodo,
e mais ainda, se sujar.
Não cabe agora, debater-se,
não cabe mais sofrer.
Graças dou apenas,
pela ajuda invisível que me resgata,
pela força sutil que move a fragata,
e uma brisa nova inspira,
vira, outro rumo pra seguir.
22 julho 2009
Cala boca e fala logo

A vida é mesmo engraçada,
engraçada e espantosa ... a nossa capacidade de rir,
quando o que se quer mesmo é chorar,
quando muito do que é bom são as lembranças,
quando o dia-a-dia se revela em baixa qualidade e meios-tons,
quando o dia-a-dia se revela em baixa qualidade e meios-tons,
quando não há fotografias na parede pra me lembrar.
Engraçado não poder me decidir,
ora lascando aqui um xiste,
ora ali um resmungo, ou uma chacota,
tudo me serve bem pra eu não ter que falar.
Fala por mim, eloquente, o silêncio,
por de traz das palavras,
nada poderia ser mais contundente e sagaz,
nada resiste assim tanto tempo,
eu não me olho mais no espelho,
não quero mais.
não quero mais.
A questão que fica é a de que não para mais nada,
na pauta surrada das repetições demasiadas,
restando a dúvida, de se existe uma autêntica tristeza,
ou se mesmo ela, deve pedir licença e se retirar.
À medida em que a vida comum e a idade,
me chamam à responsabilidade,
que os dias somados, as estações rastejando no calendário,
que os dias somados, as estações rastejando no calendário,
dando a volta nos anos, que eu nem percebo passar,
vão se esgotando rápido demais.
A vida assim se configura numa simplicidade honesta,
tão besta e verdadeira que não dá mais espaço aos lamentos,
esgarçam-se os tormentos, até mesmo os mais presentes,
então eu, você, seguimos feito gente que em sente direito,
feito bons atores de um filme não tão bom assim.
A resposta certa está lá fora, deixou a porta aberta,
olha pela fresta, com um sorriso de canto de boca,
gargalha uma risada rouca, olha-nos sem se demorar,
não vejo ninguém aceitando seu convite,
mas se visse, seria capaz de enxergar?
...
Depois de tanto tempo calado,
me animo a deixar esse recado,
e embora possa parecer ele, triste por demais,
dá-me alento pra continuar,
mesmo sem entender direito o mapa,
mesmo desconhecendo a origem, a razão e a sorte,
mesmo encantado, como sempre, pela morte,
erguendo-me cansado de dentro de mim mesmo,
pra continuar.
17 maio 2009
Red

Lá vou eu de novo,
Mas não, isso não é um peso pra mim.
Eu aprendi a confiar, sem estar perto pra ter provas,
Eu aprendi a confiar, sem estar perto pra ter provas,
Escolhi algo, que mesmo distante me conforta demais,
As outras coisas deixei pra traz,
As outras ofertas do mundo não me atraem mais.
Vou viajar levando mais que eu mesmo dentro de mim,
Vendo todas as luzes e cores de uma forma diferente,
Quem não sente que pode ser assim, sofre,
Quem não sente que pode ser assim, sofre,
De uma maneira que eu decidi não sofrer mais.
Quem pode me dizer dessa história qual será o fim?
Mas se pode, não me diga, ainda assim,
Prefiro viver alimentando o desejo de que seja perfeito,
Quem pode me dizer dessa história qual será o fim?
Mas se pode, não me diga, ainda assim,
Prefiro viver alimentando o desejo de que seja perfeito,
Aprendendo a superar quando não for, por um bem maior,
Construindo uma fortaleza que me proteja do mundo,
Quando esse mundo decidir levar à minha porta tempestades e marés fortes,
Quando esse mundo decidir levar à minha porta tempestades e marés fortes,
Aprendendo a me deleitar com todas as coisas boas,
Que também hão de vir.
Que também hão de vir.
Só te digo que agora, mora em mim a reverência,
Que me cubro de decência para recepcionar,
O cortejo de um futuro feliz, que já começou,
Que me cubro de decência para recepcionar,
O cortejo de um futuro feliz, que já começou,
A aurora de uma era de mais amor e mais paz.
Bendita seja a vida nova que está a começar!
10 maio 2009
Um Dia

Será que a passagem do tempo nos torna melhores?
Será que o que o espelho nos mostra, todos os dias, vai ficando mais familiar ou estranho?
Será que as respostas comuns e fáceis nos bastam?
...
Eu não sei dizer a palavra certa,
Por mais que esteja alerta,
Por mais que esteja alerta,
Ela não vem,
Eu posso aprender o que ainda não sei,
Posso arrumar um jeito de te dizer ,
Tudo que há no fundo do peito,
Eu posso aprender o que ainda não sei,
Posso arrumar um jeito de te dizer ,
Tudo que há no fundo do peito,
Ainda assim, você pode não entender.
...
Você pode ser perfeita,
Pode abrir todas as portas,
Você pode dar voltas,
Suficientes para me confundir,
Você pode estar certa,
Você pode não querer ter razão.
...
Nós ainda vamos nos encontrar muitas vezes,
Suficientes para me confundir,
Você pode estar certa,
Você pode não querer ter razão.
...
Nós ainda vamos nos encontrar muitas vezes,
Eu ainda terei muitos afazeres, você os seus,
Nós ainda nos abraçaremos nas despedidas,
Ainda sentiremos saudades,
Até o último adeus.
...
Por hora ficam apenas umas palavras,
Uns pensamentos,
Por hora, ainda só a passagem das horas,
Nós ainda nos abraçaremos nas despedidas,
Ainda sentiremos saudades,
Até o último adeus.
...
Por hora ficam apenas umas palavras,
Uns pensamentos,
Por hora, ainda só a passagem das horas,
Nunca será tarde demais.
19 março 2009
Pálida

eu nao queria te dizer algo assim,
qualquer coisa,
eu não queria estar longe assim,
não queria que o texto fosse irregular assim,
eu nao queria tanta coisa,
tanta coisa.
agora que você tem idade suficiente para ser a mãe de uma criança no fim da infância, mas sua sorte e sua escolha, não foram essas, agora...o que será?
agora que as pessoas envelhessem a olhos vistos,
agora que eu não encontrei o mesmo que te faz feliz,
e as salas de espera estão cheias de gente inquieta,
quem vai juntar os trapos da história,
quem será sensato para não a repetir?
só pelo ensaio tardio desse momento,
me desculpo, mas não aguardo alento,
me dispo e dissipo, numa bruma de madrugada,
vou à sacada e me deixo cair,
dessa queda flutuo, abro os braços,
no meio do caminho lá pra baixo,
começo a subir, olha que estranho, a subir,
olha que movimento, tão estranho, tão estranho,
mas eu sei, estou subindo pra te encontrar.
agora, que não é a hora, nem o lugar,
que não tem mais jeito, eu suspeito,
agora está perfeito, o tecido desse sonho,
onde eu vou pra te ver, vou devagar,
pra que estejas pronta, lá vem você,
pronta, vestida só um cetim,
vem pra mim, abre os braços,
estico os meus, abre os braços,
me puxa, eu cheguei, vim pra ti.
agora, estamos juntos, como não era há muito,
lá debaixo, ninguém nos enxerga,
eu sorrio, você olha pro horizonte,
risca com o dedo, minha fronte,
na minha testa desenha um sinal,
é assim que se desperta num sonho,
você me diz, eu te abraço forte,
a gente ri, de mais alto nossa risada ecoa,
quando chega a luz do dia,
ainda brilha, estrela da manhã,
me vem o que deve ser dito,
primeiro sussuro, depois repito.
mesmo que pareça perdido,
mesmo que esqueça o sentido,
coloco os louros sobre seu cabelo,
suas bodas eu vim coroar,
olha ali aquelas nuvens correndo,
olha lá um risco de luz no mar,
vejo por dentro sua relíquia, no peito,
dobro um joelho, baixo a cabeça, tomo sua mão,
moça-senhora pálida, não há profecia,
nem runa pra te guiar, pra cá ou pra lá,
sua direção de vida aponta, se preciso afronta,
seu desejo desmonta, o que mais não há.
ao fim, acena-me em anuência,
despedimo-nos sentidos, em silêncio,
volto à terra comum, descendo escadas em espiral,
olhando pra cima, te vendo, até acabar,
até ficar pesado, de pé no chão,
até regressar, deitando na solidão,
mas fica o perfume sutil desse encontro,
momentos que gravo e me confortam,
até que um dia voltemos,
até que a distância se desfaça,
até que não tenhamos mais,
que descalços errar.
13 março 2009
Balada sem nome
Ora, ora,
Hora, hora...
Eu digo e repito, duas vezes,
Porque essa coisa é do tipo,
Que se diz de par em par,
Eu não mudo isso, porque não convém,
Porque desde o início dos tempos, foi assim.
Essa história é um bom começo,
Pacto amarrado, embrulhado em xiste,
Depois que você começa,
Não tem volta, cabra,
Eu te aviso agora, não tem fim.
O que você tem que saber,
A única coisa que vale a pena, enfim,
É onde vai o termo dessa dança,
Porque ainda não tem a resposta,
O que o faz levantar todo dia,
O que não te deixa dormir?
Sabe bem, ó andarilho tosco,
Caminhante da volta torta,
Esse atalho que toma, à sorte,
Te levará de novo ao início,
Que seja ele um precipício,
Seja ele seu eterno porvir.
Se não toma esse caminho,
E afoito encontra a chave,
Torna-se ela a clave funesta,
Com a qual se escreve seu requiém,
Daí sim, a mortalha cega, terá de vestir.
Por isso, vira e mexe, te repito,
De maneira clara e bem honesta,
Volta e meia calará seu grito,
Mesmo abafado, não deixará de existir,
Vai com força, dar com a cara no muro,
Ou fica, a buscar seguro,
Onde não há nada pra te garantir?
Hora, hora...
Eu digo e repito, duas vezes,
Porque essa coisa é do tipo,
Que se diz de par em par,
Eu não mudo isso, porque não convém,
Porque desde o início dos tempos, foi assim.
Essa história é um bom começo,
Pacto amarrado, embrulhado em xiste,
Depois que você começa,
Não tem volta, cabra,
Eu te aviso agora, não tem fim.
O que você tem que saber,
A única coisa que vale a pena, enfim,
É onde vai o termo dessa dança,
Porque ainda não tem a resposta,
O que o faz levantar todo dia,
O que não te deixa dormir?
Sabe bem, ó andarilho tosco,
Caminhante da volta torta,
Esse atalho que toma, à sorte,
Te levará de novo ao início,
Que seja ele um precipício,
Seja ele seu eterno porvir.
Se não toma esse caminho,
E afoito encontra a chave,
Torna-se ela a clave funesta,
Com a qual se escreve seu requiém,
Daí sim, a mortalha cega, terá de vestir.
Por isso, vira e mexe, te repito,
De maneira clara e bem honesta,
Volta e meia calará seu grito,
Mesmo abafado, não deixará de existir,
Vai com força, dar com a cara no muro,
Ou fica, a buscar seguro,
Onde não há nada pra te garantir?
02 março 2009
ainda que eu sangre

de tanto esperar e perder o tempo da espera,
perdi-me nuns corredores confusos sem fim,
dei voltas tortas à procura da figura, que será?
um espelho o que procuro, ou um muro alto assim?
de tanto calar e me alimentar do silêncio, confesso,
engodo bem urdido de dentro do peito ferido,
espera de um vale arejado sem chance de sucesso,
será minha armadilha pra mim meu passaporte perdido?
será a lança afamada do meu nome, feita pra me ferir,
será a sorte insidiosa que me consome capaz de me dobrar e ruir?
ou resta esperança que me console, milagre que desafogue,
ou resta esperança que me console, milagre que desafogue,
manhã que me resgate da noite torpe, venha me ungir!
09 fevereiro 2009
Leve

A vontade de seguir,
sem pesos do passado,
quem tenho ao meu lado,
além de mim?
Quem mesmo será preciso,
além da consciência e o sorriso,
do sentido atento aos avisos,
da sutil percepção que há de vir.
Minha salvação, por mim mesmo,
não dum inferno eterno,
Minha salvação, por mim mesmo,
não dum inferno eterno,
mas do desperdício diário,
da fuga tola de viver a esmo.
Bom tempo e passagem,
Bom tempo e passagem,
não negarei o meu direito,
me educarei a não faltar com o respeito,
pra que pouco não me entorte e leve ao fim.
07 fevereiro 2009
A porta

Sim....eu vou entrar.
Uma vez lá dentro, farei de tudo que se espera que alguém faça, depois de entrar.
Também andarei lentamente de um lado para o outro, acenando com a cabeça àqueles que cruzarem meu olhar.
Depois de estar lá, eu sei, pensarei no quanto me arrependo por haver entrado, mas afastarei os pensamentos e tentarei sorrir convincente.
Conversarei, bem mais ouvindo que falando, com quem puder suportar por mais tempo. A quem precise dar menos atenção, e possa parecer atento, mesmo ao divagar.
Me lembrarei de algumas pessoas que nunca viriam, de outras, tentando imaginar se já vieram e eu não soube. Mas nada disso será realmente interessante.
Eu ficarei quieto e andarei mais, sorrindo e acenando mais, para que não tenha que parar e falar com alguém. Até que, exausto, me sente ao canto mais escuro e feche os olhos, até enxergar, dentro da minha cabeça, a luz do dia lá fora. Onde uma brisa me toca e os murmúrios da manhã me acolhem.
Eu vou entrar. Mas antes encontrarei um lugar seguro, pra deixar meu coração guardado, aqui fora. Se eu conseguir sair, espero que ainda esteja ileso e o possa recuperar.
Eu vou entrar, já disse, mas deixo meu coração aqui fora. Não podem me obrigar a levá-lo pra dentro dessa escuridão. Não mergulharei com ele nesse abismo sem fim.
Eu ficarei quieto e andarei mais, sorrindo e acenando mais, para que não tenha que parar e falar com alguém. Até que, exausto, me sente ao canto mais escuro e feche os olhos, até enxergar, dentro da minha cabeça, a luz do dia lá fora. Onde uma brisa me toca e os murmúrios da manhã me acolhem.
Eu vou entrar. Mas antes encontrarei um lugar seguro, pra deixar meu coração guardado, aqui fora. Se eu conseguir sair, espero que ainda esteja ileso e o possa recuperar.
Eu vou entrar, já disse, mas deixo meu coração aqui fora. Não podem me obrigar a levá-lo pra dentro dessa escuridão. Não mergulharei com ele nesse abismo sem fim.
05 fevereiro 2009
Desdém para Eiko

Então, insinue que vem,
mas se furte a vir,
e não me deixe saber fácil,
se você não pôde, ou não quis.
Toda vez deixe pairar,
pode ser uma dúvida, um mistério,
ou mesmo algo que eu queira dizer,
e não consiga.
Não minta, é claro.
mas não serei rígido com as omissões.
Saiba usar de rodeios,
mas não serei rígido com as omissões.
Saiba usar de rodeios,
só não exagere para não ficar sem graça.
Provoque, sempre com sutileza,
Não deixe espaço para as certezas.
Deixe assuntos começados,
Provoque, sempre com sutileza,
Não deixe espaço para as certezas.
Deixe assuntos começados,
sem pressa de concluir.
Me pressione a decidir,
Me pressione a decidir,
mas não dê importância,
qualquer que seja a decisão.
Já você, pode e deve,
Já você, pode e deve,
demorar-se em dúvidas,
peço apenas que não sejam tolas.
Dê a entender que está me colocando em meu lugar,
mesmo sem dar referência de onde seja isso.
Não me poupe de seus problemas,
não se preocupe em ser coerente,
se eu perguntar, onde quer chegar.
Mesmo que não me diga o que deseja,
ou pode, realmente me oferecer,
não se demore em esclarecer,
isso ou qualquer outra coisa.
isso ou qualquer outra coisa.
Por mais que possa lhe parecer estranho,
mantenha um ar seguro e tranquilo,
diante de todo esse enguiço,
diante de todo esse enguiço,
para que eu me motive a seguir.
Ficou lá...
Assim, por não dizer,
de tudo faço mensagem,
toda a passagem,
me pode carregar.
Você me pergunta,
respondo que sim,
mas nem sei,
essa rota torta,
esse olhar fugidío,
mas que coisa,
ai de mim.
Por isso, a pena assinala,
essa opção vaga,
e mesmo que nunca,
venha a saber o fim,
você será minha tola,
fixação.
de tudo faço mensagem,
toda a passagem,
me pode carregar.
Você me pergunta,
respondo que sim,
mas nem sei,
essa rota torta,
esse olhar fugidío,
mas que coisa,
ai de mim.
Por isso, a pena assinala,
essa opção vaga,
e mesmo que nunca,
venha a saber o fim,
você será minha tola,
fixação.
23 janeiro 2009
Mais uma noite
Passando em viver
a espera sem fim
sempre sem saber
o que será de mim
cantando em silêncio
ah viver, sem porvir
Deixar escorrer
o tempo esquecido
cuidar que me faz
sempre mais sentido
cair, que me move
sofrer que me envolve
o que há de vir?
a espera sem fim
sempre sem saber
o que será de mim
cantando em silêncio
ah viver, sem porvir
Deixar escorrer
o tempo esquecido
cuidar que me faz
sempre mais sentido
cair, que me move
sofrer que me envolve
o que há de vir?
24 outubro 2008
Mares

Olha!Quão profundo é o oceano,
Que margeia tuas praias,
Que reflete nos teus olhos,
Um pouco do azul,
Que mora, dentro de você.
Ouve, o som das ondas,
Também batem às pedras,
Em votos de saúde e paz,
Eu daqui, desejo-lhe tudo isso e mais.
...
Eu te desejo,
Um pouco pro mundo,
Outro pouco pra mim,
todas as partes, pra si.
Também te desejo,
Que o desejo não a escravise,
Mas também não te deixe,
Em apatia, ou deslise, enfim.
Que sua alma, feito caleidoscópio,
experientente a doçura do ópio,
A muitas coisas se permita e principie,
Mas em nada, nunca se vicie.
...
Eu te agradeço a companhia,
Que mesmo rara e as vezes fria,
Nunca nos deixe numa história vazia,
Nosso baile, nunca chegue ao fim.
...
Peço que sofra, mesmo sendo feliz,
Cuide que também os que te acompanham,
Não se percam em ilusões demais,
Mas se assim for, também não os deixe,
Pra trás.
...
Pra trás não fique nada de essencial,
Pra frente, tudo que ainda brilha os olhos,
Por dentro e pra fora toda a festa,
Que sua vida vem coroar.
17 outubro 2008
Graça da Esperança

Como é difícil enfrentar a nós mesmos,
Com todo o brilho do ego que nos cega,
Com toda a proteção dos medos,
Que nos emburrece demais.
Como é simples enxergar a falha e desgraça alheia,
Mas não o que ela permeia,
Enviesado, dentro de nosso peito.
Ai! Que dor, esse defeito!
Não! Volta esses olhos acusadores pra lá!
Quem é você pra falar?
Quem sou eu pra reconhecer essa chaga que há em mim...
Com todo o brilho do ego que nos cega,
Com toda a proteção dos medos,
Que nos emburrece demais.
Como é simples enxergar a falha e desgraça alheia,
Mas não o que ela permeia,
Enviesado, dentro de nosso peito.
Ai! Que dor, esse defeito!
Não! Volta esses olhos acusadores pra lá!
Quem é você pra falar?
Quem sou eu pra reconhecer essa chaga que há em mim...
Deixa, deixa que não há porque nisso mexer...
Decerto, que se não houver alarde,
Essa chama que arde, esfriará enfim,
Decerto, se aos olhos não for tão claro,
Decerto, se aos olhos não for tão claro,
Se cobrir de camadas de mentira e omissão,
Não terei de lançar mão, de mudar alguma coisa por aqui.
Salva-me Deus, façamos assim, um acordo bom,
Que, se eu me humilhar a ponto de ter fé em ti,
Que não tenha mais que temer a nada, nem a ninguém,
Sobretudo, que eu não tenha que sentir dor,
Nem mudar, um fio de cabelo que seja, em mim.
Nem mudar, um fio de cabelo que seja, em mim.
14 outubro 2008
Cansa

Cansa ver que tudo muda, mas na maioria das vezes é uma casca que cai, ou é trocada. A essência, que é o que importa, continua lá, intocada.
O desprezo pela mesmice vira propaganda pra gente admirar-se da originalidade, da última sacada de marketing e a oferta real de benefício é uma corrida sem fim, pra seduzir a gente, a consumir mais.
A gente, que fica tonto, de tanto que não sabe mais, viver sem ser consumidor. Mesmo que o mundo esteja ruindo, sobre a estrutura podre dessa marcha fúnebre gloriosa do consumo. Estamos de novo boiando na superfície, ok ... mas deseperados de terror por saber que logo iremos afundar?
A pergunta é: Se a injeção de dinheiro dos governos nos bancos privados vai estancar a hemorragia?
É essa a melhor pergunta que podemos nos fazer, atônitos e desesperados, chorando como crianças e pedindo no escuro que alguém afaste o monstro que nos ameaça?!
O caminho da tomada de consciência e da revisão de valores está, cada vez mais obviamente em nossas mãos.
Nossas mão comuns que trabalham e sustentam as famílias, que sustentam os bancos e empresas. Mãos que já vem revolucionando a lógica da informação no mundo através da internet e das redes sociais.
Passando do senso de poder que experimentamos hoje, para a consciência, e dessa para a atitude ética, a somatória magnífica de cada um desperdiçando menos, consumindo com inteligência e valorizando a vida é ...
Então, a Crise Mundial é de que mesmo?
29 setembro 2008
21 agosto 2008
Vem com graça

Sem querer, de tanto que já não acreditava mais, a Mudança chegou,
Acho mesmo que nem a percebi direito, visto que me era estranha demais.
Assim como alguém que incomoda,
Chama a atenção de leve e interessa,
Começou a surgir e assim que percebida,
Ficou se fazendo de indiferente pra não me assustar.
Cheia de possibilidades e promessas,
Me encanta e me estressa,
Abre meu coração e eu fujo,
de medo de não conseguir.
Depois, feito criança que tem-medo-mas-não-tem-vergonha,
Eu volto, rodeio, espio, de canto, fazendo que nem aí.
Ela, toda-toda, me confunde, com risinhos e rosto virado,
Me coloca ansioso e cansado, esperando poder tocá-la.
Pra uns, deve parecer que o que eu queria mesmo com essa dona,
É uma farra, daquelas bem boas de se esputricar,
Ou que minhas juntas travadas e idade acumulada, não me permitem mais.
Outros, podem rir de minha inibição em tomá-la.
Não importa.
Agora que dela, já estou enamorado,
Apenas a nós dois importa, como estaremos e o que virá.
02 agosto 2008
Vergonha
Isso ném é o tipo de coisa que eu escrevo, mas, enfim...
Tem uma letra de música do Tim Maia que eu adoro. Me faz sentir uma coisa esquisita, vontade de chorar e de rir:
"Venha ser a companheira esperada
Corpos juntos, mãos dadas
Preciso de você
E sinta lá de dentro a vontade
Meu olhar é verdade, eu quero só você"
Ai...vergonha alheia de mim mesmo.
:D
Tem uma letra de música do Tim Maia que eu adoro. Me faz sentir uma coisa esquisita, vontade de chorar e de rir:
"Venha ser a companheira esperada
Corpos juntos, mãos dadas
Preciso de você
E sinta lá de dentro a vontade
Meu olhar é verdade, eu quero só você"
Ai...vergonha alheia de mim mesmo.
:D
31 julho 2008
Cadente

Queria que tudo tendesse a menos,
mínimo, pouco, leve, quase nada.
Queria que quase nenhum barulho fosse audível,
que o que eu pudesse ouvir, fosse murmúrio,
queria que todo bairro fosse subúrbio,
que toda música fosse bossa-nova.
Queria comer pouco, de salada e sopa me bastar,
queria andar firme, mas devagar,
que a pressa nunca me tomasse,
e ter que por a mão no peito pra ver se ainda bate.
Deixar a todos a quem olhasse, um olhar,
como se não fosse, que passa e já esqueceu,
lembrar-me pouco e vagamente,
não ser demente, não, mas em tudo fugaz.
Tomar muita água e respirar muito ar,
para todo veneno, do corpo e da alma, dissolver,
desdizer, sem nem perceber o que fiz,
mais feliz não poderia ser.
Assim, quando estivesse por esse berço cálido tomado,
vida escolhida e cultivada sem transtornos, sem igual,
poderia sentir a emoção de desejar um arroubo,
paixão de cinco minutos, que a gente suspira,
mas bem feliz, deixa passar, sim senhor.
mas bem feliz, deixa passar, sim senhor.
21 junho 2008
Depois de tudo que aconteceu

Fiquei ali, me remoendo em remorços,
azedo pelos maus tratos.
Me perguntando, idiota:
_Por que você não volta?
_Por que não parto eu?!
...
_Por que todo mundo foi,
cada um, para o lado de ninguém?
Por quanto? Por quem?
Insinuei dois dedilhados,
três batidas secas, pra me confortar,
tórax caixa de som...
_Ai, como me falta o bom tom...
Meu coração apertado,
revoltoso, embora mirrado,
não fez-se de rogado,
arrebentou as costelas,
vazou pra fora do peito.
Com cara de indignado,
deu a volta ao meu redor,
mirou-me sem respeito,
deixou claro não gostar do que viu,
disse:
_Adeus!
e partiu.
Eu fiquei ali, vazio,
meio sem jeito, meio suspeito,
a duvidar de tudo e de mim.
Depois de muito tempo confuso,
amontoei minha trouxa e fui,
andando pelo mundo,
a estranhar tudo que era sentimento,
por fora e por dentro,
não tinha mais porque me iludir.
25 maio 2008
Decido
Eu escolho ficar com você,
Mesmo sem saber por quanto tempo isso será possível.
Aceito olhar para os lados, disperso,
Me preocupar em como se sente, mesmo que não vá te perguntar.
Aceito esperar pra saber como será,
Desejo não ter pressa de responder, pra poder me surpreender e sorrir.
Fico sozinho, bem acompanhado pela sua ausência,
Cheio de vontade de saber esperar, até a hora que não puder mais.
Eu vou ver as histórias, ver as passagens e me lembrar,
Pra te contar depois, pra ficar simples assim.
Mesmo sem saber por quanto tempo isso será possível.
Aceito olhar para os lados, disperso,
Me preocupar em como se sente, mesmo que não vá te perguntar.
Aceito esperar pra saber como será,
Desejo não ter pressa de responder, pra poder me surpreender e sorrir.
Fico sozinho, bem acompanhado pela sua ausência,
Cheio de vontade de saber esperar, até a hora que não puder mais.
Eu vou ver as histórias, ver as passagens e me lembrar,
Pra te contar depois, pra ficar simples assim.
04 maio 2008
Hei, deixa...

Será que você sabe me dizer,
O que quer que seja,
Que me deixe, sem quereres?
O que me mova de mim,
O que me leve a alguém,
Que seja simples e breve,
Que me pague o que deve,
Depois disso, qualquer coisa será.
Você pode me dar um roteiro,
De estradas preu não chegar,
De filme, que eu não possa ver,
Você pode me deixar uma falta, confortável.
Até, que o momento antes do começo,
Chegue para me fazer saber, que é hora,
Até que não mais me canse a demora,
Até sem palavras, tenho que te dizer.
Falar de uma novidade e um começo,
Esqueço, nem sei mesmo o que,
Sentir o estômago frio por desconhecer,
Deixar que todos ao redor, não sejam mais,
Nem menos, muito indiferente pra não ver,
Não posso deixar, de me pegar a me perder.
Se assim me dá, não há o que eu possa perder,
Se perder tão terei mais, o que dizer,
Se não souber, se vou, ou se fico,
Insisto, em não mais desperdiçar,
Deixo prá lá, minha vontade de esperar,
Aceno o sinal combinado pra te trazer.
Até depois do fim do dia,
Te chamo pra raiar o sol comigo,
Em qualquer intervalo de tempo,
Em que possa me responder,
O segredo do desejo, a história,
Que vamos escrever.
O que quer que seja,
Que me deixe, sem quereres?
O que me mova de mim,
O que me leve a alguém,
Que seja simples e breve,
Que me pague o que deve,
Depois disso, qualquer coisa será.
Você pode me dar um roteiro,
De estradas preu não chegar,
De filme, que eu não possa ver,
Você pode me deixar uma falta, confortável.
Até, que o momento antes do começo,
Chegue para me fazer saber, que é hora,
Até que não mais me canse a demora,
Até sem palavras, tenho que te dizer.
Falar de uma novidade e um começo,
Esqueço, nem sei mesmo o que,
Sentir o estômago frio por desconhecer,
Deixar que todos ao redor, não sejam mais,
Nem menos, muito indiferente pra não ver,
Não posso deixar, de me pegar a me perder.
Se assim me dá, não há o que eu possa perder,
Se perder tão terei mais, o que dizer,
Se não souber, se vou, ou se fico,
Insisto, em não mais desperdiçar,
Deixo prá lá, minha vontade de esperar,
Aceno o sinal combinado pra te trazer.
Até depois do fim do dia,
Te chamo pra raiar o sol comigo,
Em qualquer intervalo de tempo,
Em que possa me responder,
O segredo do desejo, a história,
Que vamos escrever.
Assinar:
Postagens (Atom)


